Faltavam dez segundos para a partida acabar naquela noite de 17 de dezembro de 1967 no estádio Belfort Duarte, no Alto da Glória, em Curitiba. O Água Verde, fundado em 1914, finalmente estava sendo campeão do Estado com a vitória de 2×1 sobre o Grêmio de Maringá, uma vez que a primeira partida, no estádio Willie Davids, terminara empatada em 0x0. O juiz Waldemar Nader olhou para o relógio, quando aconteceu escanteio para o Galo do Norte. Era o último lance da partida. O diretor Erondi Silvério, do Água Verde, estava na boca do túnel comemorando quando o ponteiro direito Iaúca foi para a cobrança. A bola foi alçada para Ademir Fragoso que deu uma puxeta. Zé Carlos desviou para o gol e a bola sobrou para Ademir Rodrigues que dominou no peito e chutou. O goleiro Heitor fez golpe de vista, a bola bateu na trave, voltou, bateu no joelho do goleiro e foi para o fundo das redes. A decisão estava empatada mais uma vez. Foi a maior frustração no Belfort Duarte e em toda Curitiba naquela noite.

Uma nova partida seria realizada dois dias depois na Vila Capanema. E até lá a angústia: os dois times eram bons e qualquer um poderia ser campeão. No entanto, não fosse o frango de Heitor, o Água Verde já estaria comemorando o título e Pedrinho seria o grande herói. Ele fez o primeiro aos 15 minutos do segundo tempo, depois que Juquinha entrou na área e o goleiro Adilson fez a cobertura. A bola foi rolada para Pedrinho chutar forte no canto esquerdo. Aos 27 minutos Ademir Fragoso empatou, depois de lançamento de Valtinho. Nove minutos depois, aos 36 minutos, Oliveira cometeu falta em Natal que cobrou para Pedrinho desviar para o fundo das redes. Estava escrito o roteiro da consagração. O tempo passou e o Grêmio não empatou. Era só o juiz apitar e sair para o abraço. Mas Heitor estragou tudo naquela noite.

No entanto, na terceira partida agora decisiva, o Água Verde se impôs sobre o Grêmio de Maringá, na Vila Capanema. Aos 25 minutos do segundo tempo Padreco recuou para Russinho que encheu o pé. Um canhão sem possibilidades de defesa para Adilson. O técnico Geraldino era mais uma vez campeão do Estado. Pela terceira vez consecutiva, pois levou o Ferroviário a dois títulos consecutivos nos anos anteriores. E o Água Verde foi finalmente campeão. E desta vez o herói foi Russinho, que fez o gol da conquista. No entanto, o papel de Pedrinho foi de protagonista. A Tribuna registrou da edição do dia seguinte: “Pedrinho foi um dos principais fatores da conquista do cetro”.

E além de salvar o Água Verde, Russinho também salvou a pele de Heitor, que embora ter defendido a seleção em duas ocasiões e jogado três anos no Corinthians, saiu estigmatizado do Parque São Jorge. Tudo por causa de uma desastrada performance no dia 16 de outubro de 1966, quando o Timão enfrentou o Noroeste de Bauru e fez três gols, mas Heitor levou quatro. Ele teria jogado gripado. Mas torcida não quis saber e também não quis mais o goleiro que chegou a defender pênalti cobrado por Pelé. Heitor veio para o Água Verde, foi o melhor homem em campo no primeiro jogo em Maringá e ficaria marcado pela falha no último segundo se o título não viesse. Como o título veio, todo mundo esqueceu e comemorou. Foi o único título de Pedrinho como jogador profissional, ele que chegou ao Orestes Thá com o campeonato em andamento.