Domingo, 11 de julho de 1976. Grêmio Maringá x Coritiba. Estádio Willie Davids. Jogo com casa cheia. Dez vezes o valor da renda da partida Iguaçu x Atlético e 40 vezes o total da renda da partida entre Pinheiros e União no mesmo fim de semana. A torcida maringaense pedia gol. E o gol não saía. Aos 35 minutos do segundo tempo, Paquito pegou a bola na intermediária e avançou em diagonal na direção do gol de Jairo. Na entrada da grande área chutou forte e rasteiro no canto direito do goleiro. A bola entrou. O juiz Bráulio Zanotto mostrou o centro do gramado. Paquito continuou correndo na direção da linha de fundo e desabou. Afinal, não era mais um garoto.

“Eu estava um bagaço. Eu lembro que caí de tanto cansaço enquanto a torcida comemorava. Eu considero este um dos três gols mais marcantes da carreira. Mas depois que marquei eu não tinha perna para mais nada”, conta o atacante. A ironia era que os outros dois gols marcantes da carreira foram marcados com a camisa do Coxa. O adversário daquele domingo. A Tribuna deu de manchete no dia seguinte: “Grêmio liquidou o Coxa”. E sobre o gol de Paquito, classificou de “um gol de raiva”. Aquela raiva não foi bem explicada: se foi porque a torcida alvinegra exigia o gol, se foi para mostrar ao Coxa que ainda tinha futebol ou se foi porque estava exausto. E pensar que há um ano o atacante tinha considerado a carreira encerrada, depois de ficar uma temporada no Santa Cruz. Mas no Grêmio ela recomeçou.

Paquito conta como foi a história do segundo recomeço, considerando que o primeiro foi depois do acidente de automóvel que sofreu em 1970: “Eu estava em casa, quando apareceu o Apucarana (nome pelo qual o folclórico Elnio Pohlmann, dirigente do Grêmio de Maringá, era conhecido). Isto foi no segundo semestre de 1975. Ele chegou em Ribeirão do Sul num carro velho dizendo que queria me levar para o Galo. Eu disse para ele que tinha parado de jogar. Eu não sei como ele me levou no bico, mas eu só sei que eu apareci no segundo semestre em Maringá, o campeonato já estava em andamento e eu ainda joguei pelo Grêmio naquele ano”, conta Paquito. “Eu lembro que os primeiros jogos que eu fiz foram no estádio Brasil de Marialva, porque o Willie Davids estava passando por reformas”, diz ele.

Foi assim que Paquito renasceu para o futebol quando estava com trinta anos – para os padrões da época e para a sua posição, era um veterano. Curiosamente, quem também renascia para o futebol em 1975 era o Grêmio de Maringá, que havia fechado as portas, no começo dos anos 70 e voltava pelas mãos de Apucarana e do fazendeiro Hugo Furlan. A primeira temporada do novo Grêmio não foi grande coisa, mas não chegou a ser decepção. Na segunda temporada o time estava no meio da tabela, mas Paquito era o artilheiro da competição até a partida contra o Coritiba. No entanto, a vitória sobre o Coxa despertou o Galo do Norte. Que tinha na rodada seguinte uma pedreira: o Atlético, que liderava o turno. O jogo seria no domingo, dia 18 de julho, na Baixada.

O Grêmio não fazia boa partida. Em compensação, Buião aos cinco minutos de bicicleta acertou a trave do goleiro Wagner, que seria considerado o melhor jogador da partida. O Atlético atacava, o Galo defendia e bola na rede que era bom, não acontecia. O primeiro tempo estava chegando ao fim. O goleiro Altevir não tinha feito uma defesa e ficou mais de meia hora sem pegar na bola. Estava frio. Esta foi a explicação dos cronistas à época para o que aconteceu em seguida, no final do primeiro tempo. O ponteiro Freitas do alvinegro, que não fez nada nos 45 minutos iniciais, desceu pela direita e chutou cruzado meio fraco. Altevir defendeu, mas deu rebote. Paquito em cima do lance aproveitou e fez o gol. Na saída de bola, terminou a primeira etapa. No segundo tempo, o Atlético atacava, o Galo resistia e o goleiro Wagner se consagrava. A Tribuna deu de manchete no dia seguinte: “Galo cozinhou o Atlético no Caldeirão”.

Depois de derrubar o líder do terceiro turno, o time de Maringá passou a lide,rar ao lado de Colorado. Na rodada seguinte, no dia 25 de julho, o Grêmio recebeu o Iguaçu em Maringá. Depois de sofrer no primeiro tempo, meteu 3×0 no time visitante. Gols de Wilfredo, Paulo Sérgio e Paquito, que fez o segundo e chegou aos 25 gols no campeonato. Ao fim da rodada e faltando uma para o turno acabar, três times estavam no páreo a vaga do quadrangular final: Colorado, Grêmio e Atlético. Mais: Colorado e Atlético fariam clássico no Belfort Duarte. Final da resenha: Colorado passou pelo Atlético por 2×1 e o Grêmio empatou com o União em Bandeirantes em 0x0. O Galo ficou um ponto atrás do Colorado e um na frente do Atlético. Galo fora das finais.

Com o final do terceiro turno e a classificação de Coritiba, Colorado, Atlético e Londrina para o quadrangular final que só seria disputado em março do ano seguinte, por causa do Campeonato Brasileiro, ficou o suspense quem seria o artilheiro da competição, ainda aberta e sem Paquito. Tião Abatiá, do Colorado, tinha 21 gols e ainda teria mais seis jogos para tirar a diferença. Luizinho e Eli do Coxa estavam com 19 e 18 gols respectivamente. No entanto, Abatiá fez mais três gols e não conseguiu igualar seu ex-companheiro de Dupla Caipira. E Paquito foi artilheiro paranaense pela última vez. E, mais uma vez, com uma camisa alvinegra. O campeão da temporada foi o Coritiba.