Leocádio começou em um alviverde, o Pery Ferroviário. Brilhou em outro alviverde, o Coritiba, sem contar que foi campeão pelo alviverde Metropol de Criciúma. Mas por pouco ele pertenceu a um dos mais tradicionais alviverdes do Brasil: o Palmeiras. No dia 29 de janeiro de 1967, o Palmeiras foi jogar contra uma seleção do Norte do Paraná em Apucarana na inauguração do estádio Paulo Pimentel. O técnico palmeirense era Aymoré Moreira. O ponta-direita Gildo não se sentiu bem e o Palmeiras, que estava interessado em Leocádio, o convidou para jogar esta partida amistosa que terminou vencida pelo time de Parque Antártica por 3×0, gols de Ademir da Guia e Rinaldo (2), no primeiro tempo. Para o time paulista, a vitória representou mais um troféu secundário em sua galeria – o Troféu Apucarana.

Mas, para Leocádio, a partida representou uma chance frustrada de integrar a seleta Academia de Parque Antártica. “Eu fui bem. O comentarista da Rádio Bandeirantes falou muito bem de mim. E o Palmeiras me deixou passagem de avião para eu ir para São Paulo. E antes de ir, eu vim para Mafra visitar meus familiares. Um mês depois, quando voltei para Londrina, para saber o que aconteceu, fiquei sabendo que não iria mais para o Palmeiras”, diz Leocádio. Ao saber do interesse do Palmeiras pelo jogador, um empresário negociou com o Londrina e ficou com o passe do jogador. “Estava acertado algo como 30 mil cruzeiros com o Palmeiras, mas ao saber do interesse, este empresário pediu 90 mil para o Palmeiras que pulou fora do negócio”, diz Leocádio.

“Quando eu soube disso eu não quis ficar mais em Londrina”, diz ele. O empresário então disse que era para fazer uma viagem para São Paulo que tinha negociado o jogador com um time paulista. “Eu fui para São Paulo pensando que era o Palmeiras. Mas ele não me disse qual era o time. Chegando a São Paulo, nós fomos para outra cidade. Foi assim que eu fiquei sabendo que fui vendido para a Ferroviária de Araraquara, onde fiquei dois anos e joguei com grandes jogadores, como o ponta esquerda Nei, que acabou indo para o Palmeiras”, diz ele.

Da Ferroviária, Leocádio foi emprestado no começo de 1969 para o Apucarana, por três meses, para disputar o Campeonato Paranaense. E, em seguida, foi para o Metropol de Criciúma. No entanto, ao chegar a cidade catarinense onde nasceu o seu filho Sérgio, o time local, que acabaria sendo campeão estadual, simplesmente implodiu porque os sócios das duas mineradoras que o controlavam desistiram de manter a equipe no futebol, profissional. “O patrono do Metropol, Dite Freitas, queria que eu fosse para o Grêmio de Porto Alegre, porque ele era gremista’, conta Leocádio. No entanto, ele não gostou da experiência em Porto Alegre e voltou para Criciúma. “Foi então que o Dite Freitas disse que estava me negociando com o Vasco da Gama”, diz Leocádio.

No começo de 1970, ficou acertado que o dirigente levaria o jogador para o Rio de Janeiro para fechar o negócio, até porque o time do Metropol não existia mais. Esta viagem para o Rio de Janeiro nunca terminaria no destino inicialmente previsto. Porque o jogador acabou ficando no meio do caminho. Em Curitiba. Onde passaria a integrar a equipe do Coritiba em uma de suas antológicas formações.
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“Zé Roberto era um cara bacana e um grande amigo. Ele foi o segundo Pelé do Brasil. Era um craque e sabia tudo de bola. Quem estragou o Zé foram alguns falsos amigos, aproveitadores, que ele tinha. O Zé era uma pessoa muito boa e gastava tudo que ganhava. Ele nem mandava dinheiro para a mulher, que tinha de ir buscar o salário no Coritiba. O Evangelino deixava a parte dela separada, para ela e as duas filhas do Zé. Eu lembro quando a gente ganhou do União Bandeirante e foi tricampeão, a gente foi para Londrina. O Zequinha me chamou para ir na casa dele. E lá depois da meia-noite eu disse: ‘Zequinha vamos dar uma banda por aí. Vamos numa zona’. Era para se divertir, nem era para pegar mulher. Lá estava o Zé com, três loiras e dois amigos. O Zé só andava com loira. E na mesa estavam duas garrafas de uísque vazias. Ele me viu e disse: ‘Toma um uísque aí Cádio’. Eu disse que não ia tomar, porque tinha bebido cerveja. Mas como estava na hora de ir embora, o Zé pediu a conta e eu só fiquei olhando. Eu até fiz questão de ajudar pagar a conta, o Zé não quis e eu disse: pode pegar a minha parte aí, Zé, que essa conta a gente ganha no campo. Falei aquilo para ver se os outros dois se mexiam. Ninguém se mexeu. Então eu acho que foi isso que atrapalhou muito o Zé. Ele era um cara muito bom e as pessoas se aproveitavam dele”.

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