A carreira de Natal começou nos juvenis do Água Verde em 1953, no meio de muita gente boa de bola como Dinho (“um craque”), Dasco e outros. O técnico era Nuno Fernandes. Natal ficou lá até 1956, sendo campeão da categoria. Neste ano era para servir o Exército. “No entanto, um tenente, Gerson de Sá Tavares, que era comandante em União da Vitória, me viu jogar, pediu para eu ir para lá para cumprir o serviço militar obrigatório e jogar no time do União Esporte Clube, do qual ele era dirigente”, conta Natal. O salto do quartel para o profissionalismo se deu num feriado que Natal acredita ser o dia do aniversário da cidade. Neste caso, foi dia 27 de março, quando o União enfrentou o Guarani de Ponta Grossa. “O Nelson Bufara que era diretor do Guarani me viu jogar e me convidou para ir jogar em Ponta Grossa”, conta ele.

E assim ele deixou União da Vitória. O atacante ficou no Guarani de 1957 até o final de 1962, quando foi comprado pelo Tupy de Joinville. “Eu fiquei no Tupy em 1963 e 1964. No primeiro ano nós fomos bem. O time tinha era cheio de craques como Décio Crespo que veio do Flamengo, Lanzoninho que tinha jogado no São Paulo, Palmeiras e Corinthians, Coronel que era do Vasco. Era um timaço”, conta Natal. No entanto, o time não conquistou o almejado título estadual, apesar dos grandes investimentos. No ano seguinte foi desativado.

“Entra no carro”

Foi então que aconteceu um episódio entre ele e Miltinho. “Eu estava na Boca Maldita e encontrei o Miltinho que era meu amigo. Eu estava com o passe livre. Era começo de 1965. O Miltinho disse: espere aqui que eu vou falar com o Miguel Checchia (diretor de futebol do Coritiba), que você vai para o Coxa. Eu disse, então vai. O Miltinho demorou, nisso passou o Waldomiro Perini, diretor do Água Verde. Ele me viu, era meu conhecido e disse: ‘Não fica esperando não! Entra no meu carro e vamos assinar com o Água Verde’. Eu entrei no carro e fui assinar com o Água Verde. Foi assim que eu voltei para a Vila Guaíra”, conta Natal.

A contratação do meia era um desejo de Geraldo Damasceno, o Geraldino, que estava com a moral alta no futebol paranaense depois de conquistar como técnico dois títulos seguidos pelo Ferroviário. “Em 1967 a diretoria do Água Verde investiu, trouxe o Pedrinho que estava no Flamengo para fazer o meio-campo comigo e nós fomos campeões”, diz o atacante. Outro que compôs o meio-campo foi Juquinha, “que estava numa fase esplendorosa”, conta Natal. E foi assim que Natal voltou para a equipe na qual começou no futebol, justamente para ser campeão. Aliás, foi em Vila Guaíra que ele conquistou o único título de campeão da carreira. Natal ficou em Vila Guaíra de 1965 até o começo de 1969, quando foi contratado pelo Atlético.

Histórias

No Vasco

Em 1956, o dono da Rádio Colmeia de Porto União, João Darci Ruggeri, levou Natal para disputar o Campeonato Amador do Rio de Janeiro pelo Vasco. “Fiquei três meses lá. Eu podia ter continuado, esperado oportunidade no time profissional. Mas voltei para União da Vitória. Fiz amizade com o irmão do Vavá, da seleção brasileira. Foi no Vasco que conheci o goleiro Barbosa da seleção de 1950 e o Bellini, com quem vim a jogar no Atlético em 1969’, diz Natal.

Urgência ótica

Natal resistiu usar óculos por muitos anos. Mas há algum tempo começou a usar para não abandonar o velho hábito do carteado. “Acontece que eu sempre jogo o meu tunguetinho de dez reais e eu não estava mais enxergando o naipe. Assim não dá! Por isso eu comecei a usar óculos. Mas acabo deixando sempre em algum lugar onde não encontro”, diz ele, aos 77 anos, ainda se adaptando com a novidade – que acabou facilitando o “baralho nosso de
cada dia”.