No dia 15 de novembro de 1961, quando o juiz Anacleto Pietrobon apitou o fim da partida entre Portuguesa e Corinthians, numa quarta-feira, o placar do estádio Pacaembu apontava um resultado humilhante. Mas o time humilhado não era o do Canindé. E sim do Parque São Jorge. Portuguesa 7×0 Corinthians. Isto mesmo. Um dos maiores chocolates que o alvinegro do Parque São Jorge levou na história. “Foi a minha partida inesquecível na Portuguesa”, disse Nilson Borges que esteve em campo e fez dois gols. Era a Portuguesa dos bons tempos. A Lusa daquela primeira metade dos anos 60 era um celeiro de craques. E o ponta-esquerda que veio a pertencer ao Atlético no final da década, era um deles. Ele era um jovem que subiu das categorias de base. Tinha estreado no ano anterior no time principal e ganhou a posição de titular no meio da competição.

Mas aquele não foi o único êxito histórico que Nilson Borges acumulou com a camisa verde e vermelha. O dia 4 de dezembro de 1960 pode parecer uma data qualquer no calendário esportivo. Mas não é. Foi neste dia que o São Paulo sofreu a sua primeira derrota em seu novo estádio, o Cicero Pompeu de Toledo, também conhecido por Morumbi. Foi um jogaço. Adivinhem quem marcou o primeiro gol na partida que resultou na primeira derrota do tricolor em seu magnífico estádio? Exatamente. Nilson Borges. A verdade é que aquele foi um jogo cheio de viradas. Aos 11 minutos do primeiro tempo Nilson Borges abriu o placar, mas Paulo empatou aos 23. Silvio colocou a Lusa na frente aos 38 e no começo do segundo tempo Peixinho empatou, aos 10. Parecia que o tricolor ia tomar conta da partida quando Roberto virou aos 24. Mas Silvio empatou aos 31 e Odorico virou mais uma vez, agora para a Portuguesa, aos 44 do segundo tempo. Foi um jogo histórico. Mais uma vitória de categoria daquela Portuguesa dos bons tempos.

A realidade é que aquele time que o técnico Nena levou do juvenil para o profissional no começo de 1960, quando ele foi escolhido para comandar o clube do Canindé depois da demissão do técnico Oto Vieira, era um time cheio de craques que vieram a brilhar no futebol brasileiro. Entre eles estavam Jair da Costa, que iria para a Copa do Mundo no Chile dois anos depois e seria vendido para a Internazionale de Milão. Tinha ainda dois goleadores natos: Servilio, que foi para o Palmeiras, e Silvio que foi para o Milionários da Colômbia e depois voltou para jogar no Corinthians. O gol era defendido por Félix, que foi goleiro do tricampeonato mundial no México, e Ditão, que brilhou na zaga corintiana. Tinha Ocimar que fez fama no Bangu. Aquela Portuguesa mostrou em campo que tinha bola. Só faltou mesmo ser campeã. E por pouco não suplantou o Santos que, como todos sabem, tinha Pelé e companhia. A Portuguesa foi vice, mas com direito de derrotar o time de Pelé e companhia por 4×3, em plena Vila Belmiro. Não era pouco. Na realidade, era muito.

Primeiros gols

Aquele era um time de craques que fazia gol em profusão. E foi naquele time que Nilson Borges fez os seus primeiros gols como jogador profissional. Ele estava com apenas 19 anos. Mas já era craque. A estreia de Nilson Borges no time titular aconteceu diante do Guarani no dia 10 de julho. Aos poucos ele foi ficando dono da posição. E os gols também começaram a sair. O primeiro como jogador profissional numa competição oficial foi marcado no dia 10 de agosto de 1960 no Canindé aos 32 minutos do primeiro tempo na vitória contra o São Paulo, pelo primeiro turno do campeonato paulista. O segundo gol como profissional foi marcado no dia 20 de agosto do mesmo ano na vitória por 3×1 contra a Portuguesa Santista. O gol de Nilson foi o segundo da partida.

No dia 1 de outubro, ele fez o seu terceiro gol como profissional, numa competição oficial, na vitória lusa sobre o Juventus por 3×0, no Canindé. No dia 6 de outubro, no Canindé, a Portuguesa goleou o Palmeiras por 4×1, com dois gols de Nilson Borges, o primeiro aos 7 do primeiro tempo e o segundo aos 5 do segundo tempo. Era a primeira vez na carreira como jogador profissional que fazia dois gols numa partida. O que veio a acontecer outras vezes. Só faltou mesm,o o título para a consagração definitiva daquele esquadrão. “Nós perdemos o título num jogo contra o Noroeste. Era final de campeonato, o Santos passou na frente e levou o título”, conta Nilson Borges. O jogo terminou 5×2 para o time da casa e foi disputado no dia 11 de dezembro no estádio Ubaldo Medeiros, em Bauru.