Aquele jogo na noite de 8 de setembro de 1971, no Parque Antártica, contra o Corinthians, entraria para a história do Coritiba e de todos os jogadores alviverdes que dele participaram. Principalmente porque foi um jogo épico. A partida pela nona rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro começou com o Corinthians atropelando e saindo na frente logo aos 6 minutos do primeiro tempo com Mirandinha encobrindo Célio e marcando um golaço.

Aos 36 minutos, o mesmo Mirandinha lançou Rivelino, que dentro da área tocou com categoria para fazer 2×0. Parecia que se desenhava uma goleada. Tião Abatiá, que estava em campo naquela noite, confessou: “Eu pressenti que a gente ia levar uma goleada humilhante”.

No entanto, à beira do gramado quem estava no banco era o técnico Tim, que tratou de consertar as coisas. “Por volta dos 35 minutos, ele mandou aquecer dois jogadores: eu e o Negreiros. Eu pensei, tudo bem. Mas quem ele vai colocar? Ele colocou os dois”, lembra Paquito. Aos 40 minutos, ele tirou Renatinho e colocou Negreiros e tirou Reinaldinho e colocou Paquito. As mudanças surtiram efeito. O Coritiba foi para cima e três minutos depois Leocádio avançou, chutou e diminuiu o placar.

Os jogadores alviverdes foram para o vestiário preocupados com o segundo tempo. Que foi ainda melhor. Aos 18 minutos do segundo tempo Tião Abatiá empatou. A partir daí o jogo pegou fogo: qualquer dos dois times podia desempatar. Um jogaço com resultado imprevisível. A torcida corintiana rilhava os dentes e a paranaense acompanhava a transmissão pela televisão.

Quando faltavam dez minutos para o fim da partida, Negreiros recebeu a bola e lançou Tião Abatiá na pequena área. A zaga corintiana rebateu para o meio campo. Negreiros pegou o rebote, deu um chapéu em Suingue no meio campo, matou a bola na coxa, carregou em direção do gol adversário, se livrou do zagueiro Luís Carlos com um leve toque e na entrada da área passou para Paquito. O meia, cuja perna boa é a direita, chutou com a perna esquerda e a bola entrou no ângulo do goleiro Ado. Um golaço para um grande jogo.

A partir daí foi segurar o resultado. E quando o juiz José Mário Vinhas apitou o fim da partida, jogadores e torcedores alviverdes sabiam que aquele foi um momento histórico. Foi talvez a primeira grande vitória de um time paranaense contra um dos grandes do futebol nacional em seus próprios domínios, por uma competição oficial. E de virada, que é mais gostoso.

Além disso, o resultado recolocava o Coritiba na briga pela classificação para a fase seguinte do Campeonato Brasileiro. A Tribuna registrou a vitória com uma palavra: “Sensacional!”. Nas páginas internas o jornal decretou: “Foi a melhor partida em tudo e em todo o Campeonato Nacional. Esta vitória sensacional chegou a valer por um título”. Nas páginas internas mais adjetivos: “Jogando um futebol lindo, ofensivo, objetivo, dominando totalmente ao Corinthians no estádio Palestra Itália”.

Mas o jornal não se esqueceu de Tim: “O técnico Tim viu tudo e bolou um novo esquema que deu certo”. A partir daquele jogo a imprensa esportiva nacional passou a considerar o time do Alto da Glória como um dos mais bem montados do país. “Eu considero este o gol mais importante e mais bonito de minha carreira por tudo o que ele envolveu”, declarou Paquito, o autor do gol que deu a vitória ao Coritiba naquela noite. Paquito lembra de mais uma coisa deste jogo: “Quando terminou a partida, todos os jogadores ficaram curiosos para saber quem ia ganhar o Motorádio daquela partida. O prêmio era dado para o craque do jogo. Quem ganhou foi o técnico Tim que mexeu bem no time e ganhou a partida”, conta Paquito, se divertindo com a história.