O Clube Atlético Primavera se destacou algumas vezes na Suburbana. Chegou a ganhar um campeonato – o de 1957. Mas talvez o clube tricolor do Taboão nunca deixasse a condição amadora para se arriscar no futebol profissional não fosse a paixão e teimosia de um sujeito chamado José Pedroso de Moraes, que foi centroavante do time na fase amadora. Um belo dia, quando ele pendurou as chuteiras e colocou uma loja de tapetes que levava o seu nome, ele não esqueceu o time do coração. E cismou de transformá-lo em um dos principais do estado. Ele não conseguiu, porque faltava quase tudo inclusive torcida numerosa, além de recursos. Mas a tentativa deixou o nome do Primavera na história do futebol profissional paranaense por resultados surpreendentes e pelo folclore de seu presidente. Afinal, o futebol no estado estava vivendo os seus últimos anos de romantismo. E Pedroso, ou Pedrosinho como era tratado por todos, tratou de rechear de folclore boas páginas do futebol do estado.

O Primavera mandava os jogos nos anos 50 quando era amador e nos anos 60 quando se tornou profissional no estádio Loprete Frega, no Taboão, quase defronte ao local onde fica hoje restaurante Rei dos Camarões, na rua Lívio Moreira, no bairro São Lourenço. O estádio tinha arquibancadas e alambrados. E também vestiários. O primeiro folclore envolvendo Pedrosinho foi a controversa questão dos vestiários. Por determinação da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), o acesso para o campo deveria ser feito com segurança através de um túnel. O requisito era impossível de ser atendido no caso do Loprete Frega porque o vestiário ficava em cima de um banhado ao lado do Rio Belém. Não havia como construir túnel naquele emaranhado de veios subterrâneos de água.

Pedrosinho não se apertou e mandou construir uma engenhoca – espécie de pinguela – ligando os dois pontos que deveriam ser ligados: os vestiários e o campo de futebol, passando sobre os alambrados. Como aquilo era meio rudimentar ele deu um nome pomposo: túnel aéreo. Todo mundo riu, mas ninguém proibiu o Primavera de mandar seus jogos no Loprete Frega. E também não há registro de que alguém tenha despencado do “túnel aéreo” enquanto ele existiu, incluindo os árbitros e seus auxiliares.

Pedrosinho também tinha justificativas folclóricas para explicar as derrotas, porque as vitórias não precisam ser justificadas. Afinal, quem ganhou, fez mais gols que o adversário. Isto todo mundo sabe. Mas o derrotado tem que explicar porque isto aconteceu. Para a crônica da época ele explicava: “O problema foi que o time atacou em leque e recuou em debandada”. E assim o seu lado folclórico atraia para o Primavera a simpatia da crônica e até de outras torcidas. E o folclórico Pedrosinho passou a ser um sinônimo do Primavera. Ele ficou vinculado para sempre com a história do clube do Taboão. Pedroso morreu no dia 19 de setembro de 2007. Além de empresário, ex-centroavante e presidente do Primavera, ele também foi comendador. Mas quem o conheceu garante que era um cara que amava o tricolor do Taboão. O colunista Levi Mulford que assistiu muitos jogos no Loprete Frega definiu assim o Primavera: “Não era ruim, mas também não era muito bom”. O tricolor disputou o Campeonato Paranaense de 1961 a 1969. A última partida do Primavera foi no dia 12 de junho de 1969.