Horário de verão, sol, calor. Estes parecem ser os ingredientes básicos para despertar, até nos mais sedentários, aquela vontade de sair de casa e se arriscar em uma caminhada ou (por que não?) uma corrida ao ar livre. Nesta época, parques e praças se enchem dos famosos atletas de verão. Mas, se você é uma dessas pessoas que só se empolga em tirar do papel aquela promessa lá do início do ano de começar a praticar atividade física e perder alguns quilinhos com essas condições, saiba que isso não é tão simples assim. É preciso moderação para quem pretende começar os exercícios de repente, pois a atividade física requer preparação para que não resulte em lesões.

Antes de tentar recuperar de uma vez o prejuízo de um ano inteiro sem fazer exercícios, portanto, é necessário consultar um médico e um educador físico. “As pessoas têm que entender que, independente do tipo de atividade física que vai começar a praticar, antes de tudo, mesmo se estiver se sentindo confortável para isso, é preciso procurar um profissional de saúde para avaliar com precisão algumas questões, como a condição ósseo-muscular e o Índice de Massa Corporal (IMC), como num check-up. Dependendo da idade, essa avaliação tem que ser ainda mais completa”, explica o fisioterapeuta Giuliano Gomes Martins, diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação da Coluna (ABRC) e presidente do ITC Vertebral Curitiba.

Depois de passar por essa avaliação, o próximo passo é procurar um educador físico para saber qual o exercício mais indicado para aquela pessoa em particular, baseando-se em suas condições físicas e de saúde. “Somente o profissional de Educação Física está habilitado a prescrever o exercício certo para aquela pessoa, com base em dados do American College Of Sports Medicine, que é um órgão internacional, responsável pelo estabelecimento de diretrizes para prescrição de exercícios físicos”, afirma a professora do curso de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Edina Camargo.

O acompanhamento do educador físico em tempo integral, entretanto, não é obrigatório, segundo ela. “Depois de aprender as formas corretas de se exercitar, a pessoa pode fazer sozinha. Então, quando estiver cansada daquelas séries, volta a procurar o profissional para receber novas orientações. O educador não precisa estar ali o tempo todo, pois este é um conhecimento que se adquire, mas é sempre bom manter contato com ele para eventuais dúvidas”, comenta. Desta forma, para ela, como o verão lembra saúde, é o momento certo de aproveitar todos os espaços públicos que oferecem estrutura para a prática de exercícios físicos, como as academias ao ar livre. Para atingir objetivos de saúde, são necessários pelo menos 150 minutos de exercícios semanais para adultos e idosos e acima de 300 minutos semanais para crianças e adolescentes.

Recomendações pra iniciantes

Essa regra vale para exercícios leves ou moderados, ideais para quem era sedentário até pouco tempo e está começando a adquirir o hábito da prática de exercícios físicos com regularidade. “Caminhadas e exercícios nas academias ao ar livre são autorizados a qualquer pessoa sem acompanhamento em tempo integral, ainda mais porque existem placas indicativas de como utilizar os aparelhos, mas para atividades vigorosas tem que ter um profissional de Educação Física o tempo todo”, explica a professora. Martins concorda. “A melhor atividade para começar é a caminhada porque o risco de lesão é menor. Depois, pode-se passar para outros exercícios, como a ,corrida. O iniciante não pode começar direto com a corrida, tem que começar andando, de preferência na esteira, que tem menos impacto. Para quem está na faixa dos 30 anos, sem sobrepeso, é preciso uma preparação de uns cinco ou seis meses antes de ir para a rua correr”, complementa.

No caso das academias ao ar livre, o fisioterapeuta ainda faz mais algumas recomendações. “As séries devem ser feitas com calma, sem correria, e num tempo que não seja exagerado. É preciso sentir como o seu corpo reage e também não repetir as mesmas séries. E, antes de começar, não esquecer de fazer um alongamento, com três séries de 20 segundos, dando mais atenção principalmente aos membros que vai exercitar depois”, orienta. Edina também acrescenta algumas dicas à lista. “É necessário prestar atenção aos horários em que vai praticar a atividade física para não se queimar com o sol e lembrar sempre da hidratação – não apenas levar a garrafa d’água junto, mas ingerir antes do exercício. Também é preciso se vestir adequadamente, inclusive em relação ao calçado, pois atividade física exige tênis e, no calor, tem muita gente que pratica com chinelo mesmo, o que está errado”, conclui.