Os planos para engravidar ficam cada vez mais para depois. Antes de construir uma família, a mulher quer estudar, construir a carreira e juntar dinheiro. Uma gravidez indesejada pode ocorrer neste período, mas quem planeja sempre quer deixar para mais tarde. No entanto, as chances de uma mulher engravidar diminuem a cada ano que passa e especialistas recomendam uma gestação até os 35 anos para evitar riscos para a mãe e para a criança.

Mas, e quando o tempo passa e a vontade de ter filhos vem depois desta idade? Ou, se antes dos 35 anos as tentativas forem frustradas? Pode ser o caso de esterilidade, quando não há possibilidades de engravidar, ou de infertilidade, nome dado aos casos em que há dificuldade para a gestação. O jeito é fazer uma investigação com um médico especialista. Por isso, as clínicas de reprodução assistida estão recebendo cada vez mais casais que estão juntos há algum tempo e que postergaram esta escolha.

Com as tecnologias existentes hoje, entretanto, existem chances em todos os casos. “Dificilmente não há uma possibilidade para gestação, pois a solução pode estar na doação de óvulos ou de sêmen”, exemplifica o médico Alessandro Schuffner (foto), diretor da Clínica Conceber, de Curitiba. De acordo com ele, os problemas para a reprodução podem estar tanto na mulher quanto no homem.

Entre as mulheres, as causas podem ser a endometriose e alterações no ovário ou nas trompas. A própria idade se torna um fator complicador se a mulher tiver mais de 35 anos. Entre os homens, o problema também pode estar na idade ou em situações como a dilatação das veias nos testículos. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a investigação depois de um ano de tentativas. Já outras entidades sugerem a investigação depois de seis meses quando a mulher tem mais de 35 anos”, comenta Schuffner.

A partir desta investigação, é possível verificar qual tratamento é indicado para o casal. “Para as situações que não têm tratamento com medicação ou cirurgia, entra a reprodução assistida”, explica o médico Rosires Pereira de Andrade, do setor de reprodução humana do Hospital de Clínicas, vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Entre as técnicas possíveis está a fertilização do óvulo em laboratório. Posteriormente, ele é colocado dentro do útero da mulher. Ainda há possibilidade de doação de óvulos ou sêmen. Cada caso precisa ser analisado. Os tratamentos mais complexos, que dependem de laboratório, podem custar entre R$ 12 mil e R$ 15 mil.

Regras

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) editou uma resolução que atualiza normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida. Entre as medidas, está a idade máxima de 50 anos para as candidatas à gestação. “Concordo com esta regra. A mulher tem que decidir antes porque, quanto mais avançada a idade, maiores os riscos para ela e para a criança”, avalia Andrade. A mesma resolução traz que as técnicas podem ser aplicadas em pessoas com relacionamento homoafetivo ou em solteiros. “O médico não é obrigado a fazer, mas pode fazer nestes casos”, afirma.