São mais de 50 trajes no guarda-roupa de Pepe, o cachorro da raça Lulu da Pomerânia que é a companhia preferida da designer de interiores Eduarda Buffara, de 22 anos. Cheio de estilo, o bichinho de estimação faz sucesso nas redes sociais, onde sua dona publica fotos dos looks em que o pet é modelo – e já tem mais de seis mil seguidores. O guarda roupa cheio de modelos especiais para cachorrinhos ou peças para bebês recém-nascidos não é o único luxo de Pepe, que é acostumado a tomar leite no café da manhã, comer mignon com a ração e que ainda adora queijo branco. Ele também ganhou uma festa de aniversário para comemorar seus dois anos de vida.

“Fiz uma festa só para humanos, convidei meus amigos e pedi ração como presente, que estou doando para a organização Tomba Latas”, conta Eduarda, que arrecadou mais de 50 quilos de alimento. Assim como outras mulheres apaixonadas por seus animais de estimação, ela brinca que se considera maluca. “Quando fiz a festa de aniversário pra ele pensei ‘podem me internar de vez’, mas você acaba adotando o pet como filho. Quando ele fica doente, eu sofro junto, levo correndo para o hospital. Nessas horas, a gente percebe o quanto gosta deles”, conta.

Amor de mãe

O argumento de que tanto carinho com o bicho de estimação se transforma em amor maternal é comum entre as donas dos pets, apesar de contestado por muitos. A empresária Kelly Cristina Kauling, proprietária da Pet Club Premium, acompanha de perto toda esta relação. “Pode falar que a gente é louca, mas tratamos como um filho sim, fazemos por amor e queremos o melhor para eles. Filho demanda educação e formar a personalidade assusta as pessoas. O pet é mais fácil, ele sempre vai te amar e é seu, já o filho é para o mundo”, avalia ela, que também tem cachorros em casa.

Entre os serviços que o negócio de Kelly oferece está o de creche para cachorros e o movimento em frente ao local não deixa a desejar a qualquer escolinha de crianças, com “mães” e filhotes. “É um mercado que está aumentando bastante, que oferece uma qualidade de vida como para um filho: aqui tem o banho semanal, controle de vacina e alimentação, uma série de cuidados como se fosse uma criança”, apresenta. Os animais recebem ainda acompanhamento de socialização, para evitar o stress entre os cachorros e fazer com que eles voltem para casa mais calmos.

Animais fazem parte da família

Arquivo pessoal

Enquanto muitas pessoas acham que é exagerada a relação dos donos com seus pets, pesquisas mostram os benefícios desta interação. O Grupo de Estudos Interação Humano e Animal (GE-INTERHA), criado pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), aponta melhora na autoestima das pessoas, diminuição de problemas sociais e de saúde como resultado da presença de um animal de estimação na família. A companhia dos bichinhos também é utilizada em tratamentos médicos, com melhoras na condição dos pacientes.

A psicóloga Maria Marta Ferreira também destaca estes fatores positivos para a aproximação de humanos e pets, que desperta o afeto. Porém, é preciso ficar atento quando a relação passa dos limites, com a humanização excessiva e comportamentos inadequados. “Isso pode ser maléfico para o humano e o animal, gerando uma dependência, ansiedade e colocando expectativas que não podem ser correspondidas”, alerta. Para evitar ,que isso aconteça é importante estar atento, especialmente se os compromissos rotineiros acabam prejudicados. “É preciso ter consciência, prestar atenção nos alertas que as pessoas próximas podem dar e também se informar sobre a conduta adequada”, orienta.

Mercado pet em alta

Arquivo pessoal

Roupas, acessórios, brinquedos e até joias. As opções para pets são extensas e com novidades quase diárias, que vão desde mimos para os bichos de estimação até utilidades para facilitar a rotina, como cadeirinhas, guarda-chuva e outros. Na creche de Kelly, por exemplo, a mensalidade custa em média R$ 300 para atendimento em período integral, valor que pode aumentar de acordo com serviço, como a opção de banho semanal e controle alimentar.

Já na Pet Boutique, do empresário Gil Oliveira da Costa Júnior, os gastos chegam a R$ 2 mil. “Não é só a ração, mas tem também a caminha, o brinquedo. O que tiver de novidade, o cliente vai comprando”, conta ele, que abriu a boutique há três meses por dificuldades em encontrar novidades no mercado. Dono de cinco cachorros, Costa Júnior investe em produtos de grandes marcas nacionais e também de outros países. “A procura é grande, ainda mais agora que o cliente tem bastante acesso à informação. O que ele pede, a gente vai atrás”, diz.

O que acontece nos estabelecimentos de Kelly e Costa Júnior se estende a todo o país, onde o setor está crescendo e deve chegar a 0,34% do PIB brasileiro, de acordo com a Abinpet. A organização aponta ainda uma população de 37,1 milhões de cães e 21,3 milhões de gatos no País. A estimativa é que o faturamento interno de pet food, serviços, cuidados para animais e serviços veterinários seja de R$ 15,4 bilhões neste ano. O Brasil representa ainda 8% da projeção mundial, que em 2013 já chegou a US$ 102 bilhões.