Basta observar os parques, as ciclovias e até mesmo as canaletas de ônibus de Curitiba para ver como as mulheres aderiram à prática da corrida de rua, considerada uma das atividades mais acessíveis. Nas provas da modalidade, isso fica ainda mais evidente. Elas já representam 40% do público e estão quase empatando com os homens no número de participantes.

As corredoras garantem que os benefícios são vários: vão desde a definição da forma física até a melhora da autoestima, mas não param por aí. “A corrida é uma excelente atividade para emagrecer e manter o peso”, confirma Leandro Hadlich, proprietário da assessoria esportiva HP Sports. “A atividade também abaixa a pressão, diminui a diabetes, dá mais disposição para o dia a dia, melhora a qualidade do sono e atua até na regulação hormonal”, complementa.

Para a comerciante Valdirene dos Santos, 37 anos, correr é mais do que uma atividade física. Ela começou em 2009, depois de dois anos de depressão pela perda da sua mãe, e só assim conseguiu abandonar a dependência aos antidepressivos. “Comecei a correr e não parei mais. Eu estava com 100 quilos e hoje estou com 79”, diz ela, que corre quase todos os dias e pretende eliminar mais 10 quilos para chegar ao peso que tinha antes da depressão.

Além do esporte, o presidente da Associação Procorrer, Tadeu Natalio Tymowicz, que trabalha com corrida há mais de 40 anos, acredita que a mudança do papel da mulher na sociedade é um elemento que fortaleceu o ingresso no esporte. Ao assumirem funções masculinas no trabalho e na sociedade, elas também adquiriram problemas que eram exclusivos dos homens até pouco tempo, como doenças cardiovasculares, colesterol, fumo e bebida. “É a conscientização pela saúde, não tanto pela estética, que é consequência. As boas condições começam de dentro pra fora”, observa.

Além dos 5km

Em geral, os eventos de corridas de rua têm, no mínimo, o trajeto de cinco quilômetros, que são apenas uma das primeiras metas das corredoras. Mas, quando se trata de corrida, a superação e a realização pessoal são constantes. “No começo, quase de imediato, temos o emagrecimento, mas depois vem o prazer da conquista, a superação de desafios pessoais, o primeiro quilômetro, a primeira prova e a primeira medalha”, afirma o fundador do grupo Corredores de Rua de Curitiba, Lucio Mario Milczevski.

Depois de cinco corridas de rua, todas com cinco quilômetros, a analista de Recursos Humanos Patricia Utrabo Monastier, 29, já tem sua nova meta. Correndo há seis meses, ela pretende completar em breve uma prova de dez quilômetros. “Sinto falta quando não corro. Eliminei cinco quilos nestes seis meses, junto com a reeducação alimentar”, conta. Ela ainda afirma que a corrida mudou sua vida. “Você fica mais disposta e, quando você se sente bem com o corpo, tudo melhora”, garante.

Além disso, os grupos de corrida são um fator a mais para a socialização, em que o estímulo é mútuo entre os atletas. Corredora desde 2009, a fisioterapeuta Paula Tamburi Borges, 27, contou com o apoio do namorado, que também corre, para voltar aos treinos com mais frequência há cerca de um ano. “Quando a gente se conheceu, a gente não estava correndo tanto e um incentivou o outro a correr junto. Correr com companhia é melhor”, conta.