A ideia de que somente homens sofrem de infartos ou outras doenças cardiovasculares já está ultrapassada há muito tempo. Mas é sempre bom lembrar que as mulheres também devem se cuidar, pois os dados são alarmantes. Entre as dez principais causas de morte natural de mulheres no estado do Paraná, pelo menos metade tem relação direta com as doenças cardiovasculares. De acordo com levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a primeira delas é o Infarto Agudo do Miocárdio.

O cirurgião cardiovascular do Hospital Vita, Luiz Fernando Kubrusly, explica quais foram as mudanças na sociedade que levaram as mulheres a essa situação. “Até 30, 40 anos atrás, as doenças cardiovasculares aconteciam em homens acima de 60 anos, mas as mulheres passaram a ter uma vida muito parecida, trabalhando fora, e, com isso, a incidência também se aproximou mais”, conta. As mulheres acima dos 50 anos são as mais suscetíveis, pois quando a menopausa chega, os hormônios que a protegem cessam e o nível de colesterol aumenta, deixando-as mais expostas.

“Tudo isso também tem relação com a expectativa de vida, que aumentou. Isso porque, depois da menopausa, as mulheres levam alguns anos para desenvolver as doenças e, agora, há mais tempo para isso porque vivem até os 80 anos ou mais”, completa. Segundo o médico cardiologista do Hospital Santa Cruz, Rubens Darwich, muitas mulheres ainda desconhecem os riscos. “Pesquisas apontam que pelo menos metade das pacientes que tiveram alguma dessas doenças não sabia que poderia tê-las”, comenta.

As manifestações das doenças cardiovasculares também dificultam essa percepção. “A principal doença, o infarto, não apresenta nenhum sintoma, tanto é que a mortalidade é de quase 30% na primeira hora, considerando homens e mulheres, porque não há tempo para chegar ao hospital”, alerta. O tabagismo agrava ainda mais este quadro. “Se a mulher fuma e tem pressão alta, ela não tem apenas dois fatores de risco, mas sete ou oito, pois eles não se somam, se multiplicam”, alerta Kubrusly.

Para ele, “a modernidade trouxe mais desvantagens do que vantagens”. “Elas fazem mais exercícios, mas há estresse, vida corrida, dupla jornada, cigarro, alimentação inadequada”, afirma. Assim, exercícios e alimentação adequada são os principais segredos para evitar a ocorrência dessas doenças. “O ideal é fazer exercícios aeróbicos, como natação ou caminhada, três vezes por semana, ter um sono adequado e uma dieta rica em verduras, frutas, legumes e carnes brancas, evitando o sódio”, orienta Darwich. Também é preciso prestar atenção ao histórico familiar e fazer uma consulta de avaliação já nas proximidades dos 30 anos.

Jovens também correm riscos

Assim como as mulheres que estão na fase da menopausa, as mais jovens também estão mais suscetíveis às doenças cardiovasculares na modernidade, segundo Kubrusly. “Hoje em dia, a dieta das crianças já é riquíssima em colesterol e o exercício fica restrito à escola e esses são fatores determinantes”, comenta. Aliado a isso, ainda está a utilização da pílula anticoncepcional, que aumenta os riscos de hipertensão e trombose.

A empresária Simone Lech, 31 anos, levou um susto quando descobriu, há sete anos, que sofria de hipertensão. “Por causa de uma dor na bexiga, fui parar no hospital e descobri que minha pressão estava em 22 por 18, o que deixou o médico preocupado porque eu era muito nova. A doença pode ter relação com meu rim esquerdo, que é atrofiado”, explica.

Exercícios regulares, medicação e dieta rica em frutas e verduras passaram a fazer parte de sua vida. Ant,es do diagnóstico, a hipertensão ainda foi confundida com pressão baixa. “Não sou fumante nem bebo. Como minha mãe tinha pressão baixa e eu sentia muita dor de cabeça e sono, achava que era pressão baixa. Vivia comendo salgadinhos industrializados para passar, sem nem saber que eles só me prejudicavam”.