A notícia de uma demissão pode ser encarada de maneiras diferentes pela mulher. Pode até ocorrer uma surpresa inicial. Mas, depois disto, cada trabalhadora reage conforme a sua relação com o emprego e com a profissão que exerce. A mulher pode tanto ficar triste quanto sentir um alívio ao ser demitida. Em qualquer uma das situações, ela deve prestar atenção aos sinais que podem ser lançados pelos chefes e pela empresa, além de se preparar para uma possível saída do emprego.

Quando a mulher sente que a empresa onde trabalha não está em uma boa situação financeira ou enfrenta outras dificuldades, ela pode se preparar para que a demissão não a pegue com tanta surpresa. “A percepção da mulher deve estar aguçada para sentir se ela está tendo um bom desempenho, se gosta do que faz, se tem talento, se está motivada para ir trabalhar todo dia. E depois observar se houve demissões e os motivos. Uma saída é conversar com o gerente ou o coordenador para saber o que está acontecendo, qual objetivo da empresa, se a empresa está contente com o seu papel, se ela está atendendo às expectativas”, aconselha a coach Carla Valente (foto), especializada em coaching e orientação pessoal e profissional.

Ao ser demitida, a mulher pode ter reações diferentes. O psicólogo Eugênio Pereira de Paula Junior explica que tudo vai depender da relação dela com a profissão e o ambiente de trabalho. “Se a relação era positiva, ela vai sofrer, como se fosse um luto. Mas se a relação era negativa, às vezes o resultado se torna positivo porque a mulher se sente aliviada. Quanto maior o vínculo, maior será o sofrimento pela perda do emprego”, salienta.

Ele lembra que ainda há mulheres que sofrem demais com a demissão porque dependem do emprego por causa de dívidas ou do sustento da família. “A relação de “escravidão psicológica” acaba também em um sofrimento maior porque a mulher não vê horizonte”, afirma Eugênio. De acordo com o psicólogo, a mulher pode ainda sentir pela perda do próprio ambiente de trabalho e pelo distanciamento das amizades formadas dentro da empresa.

Eugênio ressalta que a mulher deve, antes de qualquer possibilidade de demissão, estar preparada para algum período negativo que pode vir com a perda do emprego. Por isto, é essencial evitar longas dívidas, criar uma reserva financeira, sempre se atualizar dentro da profissão e manter-se motivada. Se a empresa vê profissionais desmotivados e desinteressados, a decisão de escolher alguém para demitir pode se tornar mais fácil para a chefia.

Demissão pode servir pra despertar uma reflexão

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Independente de qual seja a reação da mulher, o desligamento da empresa se torna um momento de reflexão. Em algum momento, a mulher terá que começar a pensar na retomada da carreira e na procura de um emprego. “A demissão deve ser olhada como uma oportunidade para se organizar de outra maneira. Ela deve evitar se entregar para a visão mais negativa da situação e ter esperança no futuro. A demissão pode ser positiva, mesmo quando vem inesperadamente”, comenta Eugênio.

A mulher deve usar o tempo que antes era gasto no trabalho para começar a procurar outras oportunidades e aproveitar para estudar ou fazer outras atividades que podem impactar na profissão. Uma das possibilidades é procurar o auxílio de um profissional que possa ajudar nesta trajetória para atingir o objetivo dentro da carreira, como é o caso do coach.

Para Carla, em um momento como este, ter autoconhecimento é fundamental para a mulher.

Por isto, se torna essencial fazer ,uma avaliação e saber do próprio perfil comportamental para poder seguir em frente na carreira. A mulher precisa saber e reconhecer quais são seus talentos e o que a motiva. “Não existe demissão de um dia para outro. A mulher deve pensar se ela estava dando o seu melhor. É preciso entender que perder o emprego não é o fim do mundo e que a mulher vai passar por frustrações em algum momento da carreira. Temos que aprender a focar nas soluções e a evoluir, sempre com uma postura pró ativa”, avalia a coach.

De acordo com ela, a mulher deve colocar metas e traçar um plano de ação com estratégias para atingir cada objetivo dentro da retomada da carreira ou até mesmo para uma mudança de área profissional. “Se ela quiser evoluir, precisa focar. É fácil perder o foco em meio a tudo isto, ainda mais quando se sai da zona de conforto. É essencial levantar as ações e estratégias para chegar ao objetivo dela. O plano de ação vai facilitar bastante no foco. Nada vai cair do céu”, opina Carla.