Para quem trabalha fora, comer de maneira saudável, tendo à sua disposição uma comida nutritiva, saborosa e na quantidade correta, nem sempre é tão fácil. Dependendo da região onde fica a empresa ou o escritório, as opções de restaurantes podem ser limitadas. Além disso, outro problema é quando os preços encontrados, mesmo nos buffets por quilo, são “salgados” demais. E esses fatores, que levam em conta a qualidade dos alimentos e o preço das refeições, têm feito com que muita gente volte a cultivar um hábito antigo: o de levar a própria marmita para o trabalho.

Umas das adeptas das marmitas é a fotógrafa Carla Cristine dos Santos, de 42 anos. Há cerca de dois anos, ela, o marido e a filha almoçam os alimentos que são feitos por ela em casa e que depois, são armazenados com muito capricho, em potinhos personalizados, ficando prontos para saciar a fome na hora do almoço e nos lanches entre as refeições principais.

Para Carla e sua família, a decisão de trazer comida de casa foi tomada pensando principalmente na saúde de todos eles. “Comecei a fazer as marmitas em função da dieta, já que eu, meu marido Reni e minha filha Nataly estávamos acima do peso. Fiz isso por um tempo por conta própria e, depois, passamos a frequentar um médico e um nutricionista, que nos orientaram e elaboraram uma dieta adequada para nós. E, com nosso esforço, os resultados têm sido ótimos”.

Com a disciplina de cozinhar, consumir apenas os alimentos indicados pelo nutricionista e praticar exercícios físicos diariamente, Carla conta que já eliminou mais de 24 quilos. Além dela, o marido perdeu 37 quilos e a filha, 17. E esses resultados têm feito tanto sucesso que os colegas de Reni e o namorado de Nataly também passaram a se alimentar com as marmitas feitas por Carla, que contam basicamente com frango, arroz integral, legumes e salada.

“Levo duas horas para preparar tudo, mas consigo cozinhar o suficiente para dois dias, de cada vez. E, além da praticidade, do emagrecimento e da melhora na disposição, percebi que as marmitas também geram economia. É mais barato comer assim e, com meu novo corpo, economizo até na hora de comprar roupas novas, a variedade ficou muito maior”, revela a fotógrafa.

Economia

Outra fã das marmitas é a professora universitária e consultora jurídica Yeda Maria Macedo Romanini Gaiotto, de 30 anos, que leva o próprio almoço para o trabalho quase todos os dias. Para ela, as vantagens da marmita também estão ligadas à saúde. “Gosto de cuidar da saúde e, ao optar por essa forma de alimentação, consigo controlar a quantidade e variar o cardápio conforme minhas preferências”.

Em sua marmita, Yeda conta que entram alimentos leves e práticos, fácies de levar e consumir, como saladas e atum em lata. Sobre o aspecto financeiro, ela relata que a economia mensal pode ser significativa. “É econômico também, pois se em média gasta-se cerca de R$ 7 a R$ 10 em um buffet por quilo, somando os valores das refeições em cinco dias na semana, o gasto chega a quase R$ 50 semanais. Em um mês, isso passa para R$ 200 só no almoço. Com esse valor, é possível fazer uma boa compra e comer de forma mais saudável”, pondera.

Faça a sua, do jeito certo!

Apesar de a ideia ser boa, para que ela seja realmente benéfica, é preciso tomar alguns cuidados. A nutricionista e coordenadora do curso de técnica de nutrição e dietética do TECPUC PR, Ana Lúcia Ribeiro, diz que, para uma marmita ser saudável, é necessário prestar atenção na embalagem, higiene e na conservação dos alimentos. “As marmitas devem utilizar como recipientes embalagens bem higienizadas, de vidro ou plástico, que protejam a comida do contato com o ar. No transporte, o ideal é levá-las em bolsas, térmicas, com gelo em gel ou placas de gelo. E, chegando ao trabalho, os potes com os alimentos devem ser colocados imediatamente na geladeira. Em caso de produtos congelados, eles devem ser descongelados em geladeira e mantidos em refrigeração até o consumo”.

Essas medidas são para evitar problemas e mal-estar. Segundo o nutrólogo do Hospital Nossa Senhora das Graças Guilherme Augusto Rolim de Moura, sem esses cuidados, pode haver a proliferação de micro-organismos nos alimentos, podem causar dor abdominal, vômitos, diarreia e até mesmo infecções mais sérias como uma gastroenterite. “Ao montar sua marmita, dê preferência para alimentos como folhas, legumes frescos ou cozidos, carnes magras, arroz, feijão e frutas, lembrando de colocá-los separados nas marmitas. Já as comidas mais pesadas, feitas à base de molhos, ovos e queijos devem ser evitadas, pois elas podem se deteriorar mais rapidamente”, orienta.