Enquanto as mulheres aprendem desde pequenas que precisam se cuidar e se prevenir, os homens aprendem que têm de ser fortes e resistentes. E aí acabam evitando médicos, exames e todas as outras formas de promoção de saúde. Quando descobrem uma doença pode ser tarde demais – os tratamentos são mais agressivos e a chance de cura é reduzida. Isso se não fossem as suas grandes heroínas – namoradas, esposas, parceiras, mães, irmãs e filhas – que estão sempre de olho nos marmanjos para garantir uma vida melhor para eles.

É por isso que, passado o Outubro Rosa, mês destinado aos cuidados e à prevenção para as mulheres, entra o Novembro Azul – agora os homens são alertados da importância de zelar pela própria saúde. O foco da campanha é a prevenção do câncer de próstata – segundo tipo mais comum entre os homens, atrás do câncer de pele. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2012, foram identificados 60 mil novos casos da doença. A resistência que os homens têm em ir ao médico e o preconceito com o exame de toque são as principais barreiras que impedem a redução desse índice.

O coordenador da Divisão de Saúde do Homem da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (Sesa), Rubens Bendlin, destaca que a partir dos 45 anos os homens devem fazer, anualmente, o exame de toque, que diagnostica o câncer de próstata. No sistema público, o paciente deve fazer primeiramente uma consulta em uma unidade básica de saúde. “A partir daí ele é referenciado para a urologia”, afirma.

Ele ressalta ainda que os homens que possuem familiares (pais, avôs, tios) que tiveram câncer de próstata têm uma maior predisposição a desenvolver a doença, por isso devem começar a fazer o exame antecipadamente, a partir dos 30 anos de idade. “Outros fatores de risco são a alimentação inadequada, consumo exagerado de carne vermelha, tabagismo, etilismo e vida sedentária”, aponta.

O urologista Marcelo Bendhack reforça que a prevenção é fundamental para o câncer de próstata, uma vez que a doença não apresenta sintomas em sua fase inicial. “Normalmente, os sintomas aparecem na fase mais avançada e estima-se que o câncer de próstata possa levar de três a 12 anos de evolução. Só que se o homem for aguardar os sintomas, infelizmente, estará perdendo seu tempo, jogando fora a chance de fazer uma detecção precoce”, ressalta.

A vantagem de descobrir o câncer em sua fase inicial é uma maior chance de cura, além da escolha por tratamentos menos agressivos do que a cirurgia e a radioterapia. Uma dessas possibilidades, segundo Bendhack, é o tratamento HIFU (High Intensity Focused Ultrasound, que significa ultrassom focalizado de alta intensidade). “Pode ser aplicado na próstata inteira ou apenas em uma parte. Esse tratamento tem menos efeitos colaterais e não impede tratamentos complementares caso outro foco possa surgir nessa região”.

Mulher tem papel importante na prevenção

Para Bendhack, o maior entrave para a prevenção da doença não é o preconceito com o exame de toque, mas o medo e o receio que os homens têm de ir ao médico. Nesse sentido, as esposas e namoradas desempenham o papel fundamental de estimular os cuidados dos parceiros com a própria saúde. “As mulheres ajudam nessa conscientização: se os homens não escutam, elas escutam e passam adiante”, afirma Marcelo.

A responsável pela saúde da mulher da Sesa, Shinaida Sonobe, afirma que a diferença entre os comportamentos masculino e feminino em relação à saúde é visível no dia a dia das unidades básicas. “Na fila ou dentro das salas de espera, geralmente há um número bem reduzido de homens, mas sempre existe um grande público de mulheres, crianças e idosos. Quando vai, o homem normalmente já está em um processo bem mais avançado e, às vezes,, ele tem até dificuldade em seguir as orientações médicas”, destaca.

Para Shinaida, a resistência dos homens em ir ao médico vem da educação. “O homem aprende desde pequenininho que não pode chorar porque é menino. No serviço militar também tem essa cultura, de que não pode sentir frio e dor”, ressalta. Assim, são as companheiras que têm de dar o empurrãozinho para que eles cuidem da saúde. “O papel da mulher, tanto da esposa, da mãe, da irmã é levar essa informação e incentivar a procura das unidades de saúde”. E isso não acontece somente em relação à prevenção contra o câncer de próstata, mas em todos os aspectos da saúde do homem. (LB)

Suellen Lima

Cuidado Trocado

Quando Cyntia Pedro, de 35 anos, começou a namorar o personal trainer Robinson Simões Lombardi Pedro, de 45, foi ele quem teve maior influência sobre a saúde dela. “Sempre tive tendência a engordar, tomava remédio para emagrecer e não queria saber de exercícios físicos”, diz Cyntia. Mas em pouco tempo ela começou a sentir os benefícios da prática. “Comecei a perceber a mudança no corpo, ganhar ânimo, energia e dormir melhor”. Tanto aderiu ao novo estilo de vida que hoje Cyntia é orientadora do Vigilantes do Peso.

Mas, na rotina do casamento, o cuidado acabou se invertendo. “Tem que ficar cima para fazer exames, para tudo. Ele trabalha o dia inteiro e sempre diz que está bem. Se está mal, compra remédios e não vai ao médico”, conta Cyntia. Ela diz que Robinson também relutou para fazer o exame preventivo do câncer de próstata. “Ele ficou se enrolando, ficava de marcar o urologista, mas dizia que a agenda estava cheia”. Como deu aula para um urologista, Robinson estava mais ciente da necessidade de fazer a prevenção. “Ele ouviu o médico contando casos mais graves por causa de relaxo e decidiu fazer logo o exame para ficar mais tranquilo”, finaliza. (LB

Apoio para enfrentar a doença

Quando Regina* casou-se com Paulo*, há 32 anos, não imaginava que o hábito do companheiro, de beber aos finais de semana, fosse um problema. “Jamais desconfiava, porque na época ele conseguia se controlar e bebia socialmente”, conta Regina. Depois que vieram os filhos, a frequência com que Paulo bebia aumentou. “Acho que a responsabilidade de cuidar das crianças mexeu com o emocional dele e ele começou a beber todo final de semana e no meio da semana também”, relata a esposa.

O vício começou a prejudicar Paulo no trabalho e ele desenvolveu síndrome do pânico. “Ele não conseguia mais dirigir por causa da síndrome e passava no boteco beber para conseguir. Dirigia alcoolizado, visita clientes alcoolizado”, relata Regina. “Propus a separação várias vezes para ver se ele ficava com medo, mas não adiantou”.

Esperando o pior, Regina começou a se preparar. A empresa onde ela trabalhava oferecia um programa de ajuda contra álcool e drogas e ali foi aprendendo tudo o que podia sobre o alcoolismo. “Chegou uma hora que ele mesmo pediu ajuda. Chorando como uma criança, desesperado, pediu que eu o levasse ao médico”, comenta a esposa. O marido foi internado e, dentro da clínica, ela começou a frequentar o Al-Anom, destinado a familiares e amigos de alcoólicos.

“Graças ao programa hoje estou emocionalmente bem. Depois de 17 anos com ele em sobriedade, eu continuo no programa, levando essa mensagem para outras famílias”, conta Regina. “Ele diz que se não fosse eu ter ajudado, ficado do lado e dado toda essa força, não sabe se teria conseguido”.

Não é só o alcoolismo de Paulo que é acompanhado de perto pela esposa. “Ele é diabético, então sempre cobro a consulta com endocrinologista. Estou sempre cuidando dele”, revela. A alimentação e até a beleza do marido também estão na mira de Regina. “Compro hidratante porque ele tem a pele ressecada, filtro solar. Mas te,m que deixar tudo na cara dele, se não ele não usa”.
Paulo diz que o apoio da esposa foi fundamental. “O papel da esposa e dos filhos foi muito importante. Isso fez com que a gente passasse a usar o mesmo tom de conversa e o entendimento se torna muito mais fácil”, afirma. “Ela se preocupa muito com a saúde dela e de toda a família. Precisar dessa “puxada de orelha” para fazer exames, exercícios é uma característica dos homens”, admite. (LB)

Quando Regina* casou-se com Paulo*, há 32 anos, não imaginava que o hábito do companheiro, de beber aos finais de semana, fosse um problema. “Jamais desconfiava, porque na época ele conseguia se controlar e bebia socialmente”, conta Regina. Depois que vieram os filhos, a frequência com que Paulo bebia aumentou. “Acho que a responsabilidade de cuidar das crianças mexeu com o emocional dele e ele começou a beber todo final de semana e no meio da semana também”, relata a esposa.
O vício começou a prejudicar Paulo no trabalho e ele desenvolveu síndrome do pânico. “Ele não conseguia mais dirigir por causa da síndrome e passava no boteco beber para conseguir. Dirigia alcoolizado, visita clientes alcoolizado”, relata Regina. “Propus a separação várias vezes para ver se ele ficava com medo, mas não adiantou”.
Esperando o pior, Regina começou a se preparar. A empresa onde ela trabalhava oferecia um programa de ajuda contra álcool e drogas e ali foi aprendendo tudo o que podia sobre o alcoolismo. “Chegou uma hora que ele mesmo pediu ajuda. Chorando como uma criança, desesperado, pediu que eu o levasse ao médico”, comenta a esposa. O marido foi internado e, dentro da clínica, ela começou a frequentar o Al-Anom, destinado a familiares e amigos de alcoólicos.
“Graças ao programa hoje estou emocionalmente bem. Depois de 17 anos com ele em sobriedade, eu continuo no programa, levando essa mensagem para outras famílias”, conta Regina. “Ele diz que se não fosse eu ter ajudado, ficado do lado e dado toda essa força, não sabe se teria conseguido”.
Não é só o alcoolismo de Paulo que é acompanhado de perto pela esposa. “Ele é diabético, então sempre cobro a consulta com endocrinologista. Estou sempre cuidando dele”, revela. A alimentação e até a beleza do marido também estão na mira de Regina. “Compro hidratante porque ele tem a pele ressecada, filtro solar. Mas tem que deixar tudo na cara dele, se não ele não usa”.
Paulo diz que o apoio da esposa foi fundamental. “O papel da esposa e dos filhos foi muito importante. Isso fez com que a gente passasse a usar o mesmo tom de conversa e o entendimento se torna muito mais fácil”, afirma. “Ela se preocupa muito com a saúde dela e de toda a família. Precisar dessa “puxada de orelha” para fazer exames, exercícios é uma característica dos homens”, admite. (LB)