Aos 52 anos, Roseli Isidoro enfrenta um grande desafio em sua carreira política (talvez até o maior deles): ser a principal representante, em Curitiba, dos direitos das mulheres no Poder Executivo. Afinal, desde janeiro deste ano, ela é a titular da Secretaria Municipal Extraordinária da Mulher. E, por mais que as conquistas das mulheres sejam cada vez mais frequentes, as dificuldades ainda são muitas, como ela conta aqui:

– Antes de ser secretária da mulher, como se deu sua trajetória na política?

Sou servidora pública federal e sempre estive envolvida com a militância, sendo filiada ao PT desde seu início. Em 2000, disputei uma vaga como vereadora pela primeira vez e fiquei como suplente, assumindo dois anos depois. Em 2004, me reelegi, e também me candidatei em 2008. Como não fui eleita, passei a me dedicar às campanhas da Gleisi (Hoffmann, atual Ministra da Casa Civil).

– No ano passado, a senhora também foi candidata, mas não se elegeu. O que aconteceu?

Acabamos decidindo de última hora pela minha candidatura para ajudar a chapa do PT e a eleição do Gustavo (Fruet, atual prefeito de Curitiba). É claro que existia a expectativa de ser eleita também, mas como estou fora da Câmara desde 2008, o retorno foi difícil porque há um distanciamento maior.

– Como recebeu o convite para ser secretária? Em algum momento, imaginou que ocuparia este cargo?

Quando recebi o convite, consultei algumas pessoas do partido para saber teríamos condições de assumir um compromisso como esse. Sempre imaginei que seria designada para alguma tarefa importante, mas não necessariamente esta.

– E como está sendo desenvolvido o trabalho na Secretaria?

Por ser Extraordinária, não executamos, mas articulamos as ações com as demais secretarias. Desta forma, estabelecemos alguns temas para trabalhar nos quatro anos de gestão – violência, autonomia econômica, saúde e educação, respectivamente. Fora isso, estamos reestruturando o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (antigo Conselho Municipal da Condição Feminina) e, por meio de recursos federais, estamos trazendo a Casa da Mulher Brasileira, um centro com vários serviços para a mulher.

– Quais as principais dificuldades que vocês ainda enfrentam?

No começo, até achava que o fato de não ter orçamento próprio seria a maior dificuldade, mas tenho um apoio muito grande das outras secretarias para executar nossos projetos. As barreiras, portanto, são outras, como a falta de compreensão da sociedade, pois Curitiba ainda tem uma visão conservadora e retrógrada.