Falta de dinheiro ou de tempo (ou os dois) não são desculpas. A leitura se tornou um hábito para milhares de mulheres curitibanas, que estão com um livro na mão durante o horário do almoço ou quando cumprem o trajeto entre casa e trabalho, dentro do ônibus. Não importa em qual momento do dia a mulher vai reservar um tempo para ler. É essencial para o conhecimento, para aumentar o vocabulário, para conversar com os amigos. Mais do que tudo, a leitura é aquele momento único em que você pode se esquecer de tudo e embarcar em diferentes mundos.

Cada mulher tem uma relação diferente com a leitura. Thaís Flessak, por exemplo, sempre foi incentivada pelos pais a criar o hábito da leitura, o que foi enfatizado pelo padrinho, que é professor. Resultado: ela se tornou uma viciada em leitura. Depois de conseguir se desapegar dos livros que leu, Thaís conheceu o mundo dos sebos, onde é possível encontrar títulos de todos os gêneros de leitura por preços mais camaradas.

As idas ao sebo renderam à Thaís até uma oportunidade: a de trabalhar em um deles. Ela já passava com frequência em um sebo do centro da cidade quando decidiu deixar um currículo no local. A estratégia de ficar ainda mais perto dos livros deu certo. “Uni o útil ao agradável”, considera. “O livro é uma companhia que não vai te decepcionar e ainda vai trazer algo de bom para a sua vida. Seja conhecimento ou simplesmente para passar o tempo”, analisa.

Para Thaís, a falta de tempo e de dinheiro não é um bom argumento para não ler. “Muitos livros são caros, mas existem alternativas, como os sebos, as bibliotecas e até as versões de bolso dos livros (pockets), que normalmente são mais baratas. Ainda há os downloads para computador e tablets”, comenta.

Mulheres são maioria entre leitores

Recentemente, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP), a maior referência em bibliotecas em Curitiba, fez um levantamento sobre o perfil dos usuários que frequentam o local. A pesquisa identificou que as mulheres são maioria entre o público que frequenta o local, representando 60% do total. A faixa etária varia entre 16 e 35 anos. Entre as mulheres, 72% são solteiras e 74% não possuem filhos.

Ir à biblioteca é a maneira mais tradicional para encontrar os livros. Estes espaços foram montados dentro de empresas, instituições e escolas. Cada uma delas possui uma política para empréstimos. Na BPP, por exemplo, basta fazer um cadastro levando até o local um comprovante de residência, carteira de identidade e CPF, além de pagar uma taxa de R$ 2,50. O empréstimo do livro é gratuito. O usuário paga uma multa se não cumprir o prazo para devolução do livro. A instituição tem 156 anos de história e acervo de 630 mil volumes, entre livros, discos, mapas, fotos e outros documentos.

As mulheres também dominam a clientela entre as lojas tradicionais. Nas Livrarias Curitiba, por exemplo, o público feminino representa 60% do total dos consumidores. “As mulheres hoje leem de tudo, incluindo livros técnicos e aqueles voltados para carreira. A mulher adulta também passou a se interessar pelos livros eróticos, principalmente depois do fenômeno do livro Cinquenta Tons de Cinza, E. L. James”, comenta João Alécio Mem, assessor da empresa.

Outras opções para os leitoras são os Faróis do Saber ou as Tubotecas, administradas pela Prefeitura Municipal de Curitiba. São espaços instalados nos bairros ou em estações-tubo, o que facilita o empréstimo e a devolução dos livros. Ou ainda, pode-se optar pela compra de livros em sebos, que, além de oferecerem preços mais baixos em relação às lojas tradicionais, têm o diferencial de terem à disposição títulos fora de catálogo. “Aqui, as mulheres também são a maior part,e da clientela. Elas procuram títulos diversificados”, comenta Jaime Pena, sócio-proprietário do sebo Livraria Papirus, no centro de Curitiba.

Entre um compromisso e outro

A estudante Flaviane Polinarski sempre arranja um tempo para ler. Pode ser antes de dormir ou enquanto anda de ônibus, no trajeto entre a sua casa e a faculdade. “Eu curso História e, por causa das aulas, eu já leio bastante. Mas, antes mesmo da faculdade, eu já tinha o hábito da leitura. Geralmente, eu empresto de bibliotecas. Compro livros também porque quem gosta de ler nem sempre resiste”, afirma.

Para a estudante, a leitura influencia muito no dia a dia. “A leitura abre as portas de vários mundos para vivenciar outras histórias. É um tempo só seu, na companhia de um livro”, analisa. Além disto, quem lê sempre tem assunto para conversar com os amigos e a família. Com a ajuda das redes sociais, hoje em dia, os leitores trocam muitas informações sobre dicas e resenhas. Nesta semana, Flaviane terminou a leitura do livro Um Hotel na Esquina do Tempo, de Jamie Ford. “Gosto dos romances que possuem um viés mais histórico”, conta.

Outra viciada em livros é a professora Maria Torres. Mesmo não atuando na profissão, ela não larga a leitura de jeito nenhum, ainda mais por ter a oportunidade de emprestar livros na biblioteca montada no clube que frequenta. “Ler se torna um vício. Quem tem o hábito não consegue ficar sem um livro na mão. Sempre emendo um livro no outro”, comenta. Os empréstimos de livros começaram quando ainda estudava e lecionava, principalmente na Biblioteca Pública do Paraná (BPP), localizada no centro de Curitiba.

Maria sempre vê gente entrando e saindo da biblioteca do clube, o que pode ser um indício de que o hábito da leitura ainda é forte. “Leio em qualquer horário. Estando em casa, eu não fico sem ler um livro”, conta a professora, que gosta principalmente de romances históricos, assim como Flaviane. Atualmente, ela está lendo o romance Joana, a Louca, de Linda Carlino.