Já dizia a famosa marchinha: “Não quero ver ninguém / sem camisinha / pra não se machucar / no Carnaval”. Apesar de a música ter sido composta como uma brincadeira maliciosa, o recado é bem pertinente nesta época do ano, inclusive para as mulheres. O conselho pode ser até “mais velho do que a sua avó”, mas deve ser relembrado sempre que se chega nas proximidades desta festa popular, pois é justamente nestes dias de folia que muitas pessoas “esquecem” ou “ignoram” a necessidade de sempre se proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). A prevenção deve acontecer durante todo o ano, incluindo durante o Carnaval. Afinal, ninguém quer que a folia termine em consequências graves, não é?

Como dificilmente é possível saber as condições de saúde de seu parceiro sexual por outra forma, que não seja perguntando (e ainda assim, nunca se sabe se a resposta vai ser verdadeira ou não), a melhor forma de prevenção contra as DSTs, tanto no Carnaval quanto nos demais dias do ano, é apostar no uso do preservativo, seja ele feminino ou masculino. Ainda assim, a proteção não serve para todas essas doenças, como explica o médico ginecologista do Hospital Pilar, Marcos Vinicius Chiaretto. “Este método não dá 100% de cobertura nos casos de HPV, pois a transmissão não precisa necessariamente do ato em si para ocorrer, já que acontece com contato direto e, portanto, pode se dar na preparação do ato”.

Para as demais doenças sexualmente transmissíveis tradicionais, como sífilis e gonorreia, entretanto, o preservativo continua sendo o único método eficaz, pois elas só passam de uma pessoa para outra através do ato sexual consumado. As ressalvas se dão em relação a outros vírus que podem ser transmitidos sexualmente, como o da Hepatite C e o HIV. Em todos esses casos, a transmissão se dá da mesma forma. “Em nosso organismo, existem microfissuras que, em contato com o material sanguíneo, possibilitam a transmissão, mesmo quando não há sangramento algum”, explica Chiaretto. Ele ainda alerta que, independente de qual seja a DST em questão, a transmissão é imediata e pode acontecer mesmo quando o portador foi infectado há pouco tempo e a doença ainda está em um período de incubação.

Neste sentido, as doenças sexualmente transmissíveis causadas por vírus são ainda mais perigosas, na opinião da médica ginecologista Christiane Maria Ribas Berger, pois elas podem passar anos em forma assintomática, sem que seu portador saiba que está contaminado. “O que percebemos hoje em dia é que as DSTs mais tradicionais, como sífilis e gonorreia, estão apresentando, cada vez mais, uma incidência menor por terem um controle epidemiológico maior, com tratamento mais fácil. Enquanto a incidência do HPV, do HIV e da Hepatite C estão aumentando. É preciso lembrar que, qualquer uma dessas três, se contrair, vai ter pro resto da vida, pois são causadas por vírus e, para isso, não há cura, só controle. Quando é bactéria, trata e pronto. Todo mundo fala do HIV, mas os outros dois também são bem perigosos, pois a Hepatite C pode ser fulminante e o HPV pode levar a um câncer de colo do útero”, explica.

Prevenção também requer outras medidas

Como o preservativo não é suficiente para evitar algumas situações, o cuidado precisa ser redobrado para evitar qualquer tipo contaminação por alguma doença sexualmente transmissível. Neste sentido, os médicos lembram que é preciso ter bom senso sempre, principalmente nesta época de Carnaval, um período tradicionalmente mais “liberal”. “Esses dias de festa exigem responsabilidade, compromisso e conscientização de cada um em relação &agrave,; sua saúde por ser um período de maior banalização em relação ao sexo, no qual as pessoas tendem a ficar mais desprotegidas, se expondo a situações de risco”, comenta Christiane.

Desta forma, além do uso do preservativo, Chiaretto recomenda que as mulheres – e também os homens – evitem o comportamento promíscuo, procurando manter apenas um parceiro sexual, pois “a promiscuidade aumenta em muito o índice de transmissão de qualquer patologia”. A essa lista, Christiane ainda acrescenta as orientações de que as pessoas não abusem das drogas e do álcool para não perder o controle e a consciência e mantenham hábitos saudáveis de sono e alimentação, pois a imunidade mais baixa também pode facilitar a contaminação. “Tem que se cuidar 100% das vezes”, reforça. E Chiaretto ainda alerta: “Qualquer um está suscetível a uma contaminação, pois não é possível fazer uma divisão por condição social ou econômica. Todo mundo está sujeito a isso”.