As crianças de hoje em dia utilizam computadores ou dispositivos móveis, como aparelhos celulares e tablets, com uma desenvoltura assustadora. Parece até que já nasceram sabendo como fazer isto. No entanto, os pais, muitas vezes, ficam atrás dos filhos no quesito tecnologia. É um vasto mundo de conhecimento à disposição dos jovens, que nem sempre recebem a orientação correta sobre como aproveitar este potencial e também se proteger dos perigos escondidos no ambiente virtual.

Especialistas indicam que é essencial a participação das mães e pais neste momento da vida dos filhos. Para isto, devem “correr” e aprender o que podem sobre redes sociais e internet. “Existe a necessidade de os pais estarem atualizados também. A tendência é achar que deve proibir ou restringir. Mas os pais devem sentar junto com a criança e entender o que ela está fazendo na internet”, avalia a publicitária Valéria Portella, autora do livro Pais e Filhos Conectados (Editora Artes e Ofícios).

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Valéria escreveu livro para ajudar os pais.

Saber os hábitos dos filhos na internet se tornou importante principalmente pela existência de crimes que podem ser “arquitetados” com a ajuda de informações repassadas pelos próprios usuários da rede. Há pessoas que usam perfis falsos para se aproximar de crianças com o objetivo de cometer abusos (pedofilia) ou conseguir dados suficientes para um assalto, por exemplo. O tema já abordado, inclusive, em diversas obras ficcionais, como o filme Confiar (2011).

Expor o local onde mora, se está sozinho, ou a aquisição de um aparelho eletrônico caro podem despertar a “curiosidade” de criminosos. Outros problemas são a reprodução ilegal de conteúdo e o cyberbullying, ou seja, as ofensas pela internet. “Os pais falam muito para tomar cuidado com estranhos, para não aceitar caronas de desconhecidos. O mesmo deve ser feito com a internet. É o mesmo conceito, mas com uma linguagem diferente. Muitos pais dão a tecnologia para a criança e sabem que ela está brincando no computador ou no tablet, mas não acompanham realmente o que a criança está fazendo”, comenta Sandra Paula Tomazi Weber, advogada especialista em Direito Digital e sócia do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados. Com a experiência da comandante do escritório, foi montado o projeto Família Mais Segura na Internet, da qual Sandra é integrante.

Diálogo é importante

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Annie (Liana Liberato) é uma adolescente que, por meio da internet, se envolve com um rapaz mais velho e, ao encontrá-lo pessoalmente, passa por uma situação de iniciação sexual forçada.

Os pais podem adotar algumas medidas para evitar que as crianças e adolescentes acessem conteúdo impróprio na internet ou que repassem informações para estranhos. “O computador não deve ficar em um lugar escondido. É possível colocar o equipamento em uma área de passagem, onde os pais podem dar uma espiada”, salienta Valéria. Outra medida é avisar sobre os riscos que podem estar por trás da tecnologia. “Sentar e conversar sobre estes riscos é essencial. Tem coisas que eles podem até dominar mais do que os adultos, como a própria tecnologia, mas os pais possuem mais vivência. Uma conversa com a equipe de profissionais da escola pode ajudar para saber um pouco mais e afinar a abordagem”, explica.
<,br />Manter o diálogo com autoridade e servir como exemplos são ações que os pais podem aplicar quando o assunto é filhos e internet, segundo a mestre em Educação e pedagoga do Grupo Uninter, Edna Prigol. De acordo com ela, os pais podem até baixar aplicativos ou programas que controlam o acesso ao conteúdo, mas precisam deixar claro para as crianças e adolescentes que existe este mecanismo. “Os pais devem prestar atenção nas próprias atitudes. Se a criança vê o pai olhando na internet e pergunta sobre o que é aquilo, o pai não pode responder que não é nada. Se tiver oportunidade, fale que é uma coisa legal. A criança vai entender que é possível dialogar sobre o que ela acha legal na internet”, analisa.

Internet pode ser aliada

A internet e as tecnologias não devem ser vistas como inimigas. Existem jogos online e programas educacionais que podem auxiliar no desenvolvimento de crianças e adolescentes. “A tecnologia também está à serviço da educação”, ressalta Edna. Os pais podem selecionar conteúdos para os filhos, conforme a faixa etária, para ajudar na educação. Existem sites especializados na área. “Os pais podem fazer uma pesquisa. Existem jogos vídeos, jogos educativos. Há mil possibilidades”, afirma a pedagoga.

Para Valéria, programas com atividades lúdicas não podem ser esquecidos pelos pais. “É preciso saber reunir as ferramentas tecnológicas com as tradicionais, sempre visando a estimulação da criança. A internet é aliada da educação. Existem muitas coisas boas, como o contato com a língua estrangeira, por meio das brincadeiras em inglês”, conta. A publicitária lembra que algumas escolas já adotam uma metodologia mais interativa, com a ajuda da internet e de programas, enquanto outras tentam aliar os métodos tradicionais com livros didáticos com materiais diferenciados.