Quem nunca ficou nervosa, com as mãos frias ou com um nó no estômago antes de uma apresentação importante ou diante de uma situação de grande exposição no trabalho? Estas reações são normais, compreensíveis e podem afetar qualquer uma de nós em algum momento de nossa vida profissional. No entanto, para as pessoas mais tímidas, fazer uma palestra ou falar de si em uma entrevista ou reunião pode ser bem mais complicado, tanto que parte delas passa a evitar as oportunidades que exijam algum tipo de exibição pessoal ou profissional.

Mas, de acordo com a professora e coordenadora do PUC Talentos da Pontifica Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Daniella Forster, essa dificuldade em se comunicar de forma mais carismática não significa que os introvertidos estão condenados a ter uma carreira menos promissora. Pelo contrário, há espaço de sobra para eles no mercado de trabalho. “O profissional introvertido, aquele mais próximo da timidez, costuma ser requisitado para trabalhos que envolvam concentração e foco. Eles atuam em funções que não seriam bem desempenhadas pelos extrovertidos, pela falta de atenção e foco generalizado que eles apresentam”.

Daniella relata que, atualmente, os recrutadores das empresas já sabem como conduzir um processo seletivo com pessoas introvertidas e que muitas organizações buscam justamente estes profissionais. “As empresas têm essa preocupação em seus processos seletivos, de recrutar os tímidos para as funções que exigem detalhe e concentração. Durante a entrevista, eles também costumam ser avaliados de forma diferente, com ênfase em suas experiências e conhecimentos e não na forma como se apresentam”. Segundo ela, para os tímidos, as vagas costumam estar concentradas nas áreas financeira, da tecnologia da informação, de análise de riscos, gestão de processos, entre outros setores.

“O tímido não é um profissional sem conhecimento, pelo contrário, ele costuma ser bom no que faz. O grande problema dele é não saber se vender, se autopromover de maneira espontânea e natural. E, entre os tímidos, também temos diferenciações: há os que não gostam de ser tímidos e sofrem com isto e existem também as pessoas mais reservadas por vontade própria”, observa a professora.

Para as pessoas que são tímidas e desejam mudar essa condição, ela recomenda algumas ações, entre elas, participar de cursos de teatro ou oratória, buscar o autoconhecimento e desenvolver suas habilidades pessoais. “Para quem ainda está estudando, é importante não perder esta oportunidade. Fazer apresentações na faculdade ou na escola ajuda a perder o medo de se arriscar. Se você não passar por esse processo, você não aprende. Isso porque a comunicação tem que ser assertiva. O tímido não vai se comunicar facilmente, mas isso não determina que sua comunicação não seja eficaz”.

Vencendo o problema

Para a consultora de etiqueta e comportamento Silmara Santos Adad, reconhecer que é tímido é o primeiro passo para quem quer mudar e caminhar em direção a uma solução. “O mercado de trabalho tende a priorizar os mais comunicativos e extrovertidos. Porém, a timidez pode sinalizar outras habilidades importantes do profissional, como a observação mais aguçada, que pode levar à análise mais precisa de situações pertinentes ao universo empresarial”.

Para se sair bem em uma reunião, apresentação ou processo seletivo, ela recomenda que o profissional tente manter a calma e busque aprimoramento, por meio de treinos. “Exercitar a respiração ajuda muito, pois acalma o indivíduo que é tímido. Treinar a fala diante do espelho e visualizar a cena que, irá viver contribuem para a segurança no momento da apresentação, pois dá segurança. É preciso ter confiança de que, se foi chamado para uma reunião ou entrevista, é porque tem conteúdo. Portanto, confie em si mesmo”, diz Silmara.

E timidez não deve ser sinônimo de insegurança, senão a relação com o chefe ou com os colegas pode ser abalada. Silmara lembra que a timidez pode atrapalhar desde que não exista confiança no trabalho que se desenvolve. “O tímido está na empresa por alguma razão e, por isso, precisa compartilhar experiências, conhecimentos e opiniões. Comece aos poucos a se comunicar com os outros do mesmo modo que gostaria de receber as informações dos demais, ou seja, de modo claro e objetivo”.

E, se ainda assim for difícil lidar com a timidez, a recomendação é procurar ajuda especializada. “Há excelentes psicólogos que auxiliam neste processo. Procurar identificar e entender as razões da timidez ajuda no autoconhecimento e convício social e profissional, o que é fundamental para a autoestima”, afirma a consultora.