Dor nas pernas, inchaço, sensação de peso e queimação são sintomas clássicos das varizes, doença que é a principal causa da procura por um cirurgião vascular. Bastante comuns nas pernas, onde provoca insuficiência venosa primária, as varizes também podem aparecer nos membros superiores, no esôfago ou ainda serem varizes pélvicas. Além delas, há as varicoses que podem ser vistas no rosto e no colo.

Estes problemas circulatórios, de acordo com o cirurgião vascular e diretor técnico do Angiocentro Curitiba Cristiano Schmitt, são provocados pelo mau funcionamento das veias, que deixam de conduzir o sangue corretamente. “As varizes são veias tortuosas e insuficientes, que já não funcionam e, por isso, têm o fluxo do sangue invertido em seu interior, refluindo em direção à pele em vez de ir para o coração. Já as varicoses são varizes de pequeno calibre mais próximas à pele, com coloração avermelhada e diâmetro inferior a dois milímetros”.

Mais comuns nas mulheres, afetando, segundo estudos mais recentes, de duas a três vezes mais o público feminino do que o masculino, as varizes trazem ainda mais problemas durante a gravidez. O cirurgião explica que, na gestação, pode ocorrer uma piora significativa das varizes, pela alteração hormonal e pela dificuldade de retorno do sangue dos membros inferiores, devido à compressão que a veia cava inferior sofre do útero.

Mais atingidas, as mulheres também procuram tratamento mais cedo, seja pelo desconforto ou pelo efeito estético desagradável que as varizes apresentam. Com relação à idade dos portadores de varizes, os médicos afirmam que não é possível determinar uma faixa específica, mas a cada dia aumentam os casos precoces, que resultam em fadiga e insuficiência das válvulas.

Segundo a médica cirurgiã vascular do Hospital Marcelino Champagnat Andressa Patriani Pimpão, entre os fatores que aumentam os riscos do surgimento das varizes, estão, em ordem de importância, a influência genética, passar muitas horas em pé ou sentada, influência dos hormônios (menopausa, uso de pílula, reposição hormonal), ganho de peso e obesidade. “Estes aspectos podem aumentar o risco de desenvolvimento das varizes, que, se não forem tratadas adequadamente, podem, em alguns casos, evoluir para trombose e úlceras. Para evitá-las, o importante é procurar tratamento o quanto antes”.

Felipe Rosa
Outra, é a escleroterapia com espuma.

Tratamento depende do grau da doença

O diagnóstico das varizes é feito por meio de consulta médica, exame físico e, se necessário, exames como o eco Doppler venoso não invasivo. Com a confirmação da existência das varizes, o tratamento será feito de acordo com o grau da doença. Casos mais leves podem ser tratados nos consultórios com medicações que aliviam os sintomas.

“Nos casos mais importantes, a maioria dos procedimentos cirúrgicos é feita de forma eco-guiada, com o uso do eco Doppler. Radiofrequência, tratamento a laser endovenoso (EVLT), injeção de espuma densa, retirada das varizes com pequenos ganchos ou da veia safena com fleboextrator, criosescleroterapia, laser transdérmico e MOCCA são algumas das técnicas disponíveis. Destas, preferimos o EVLT e a injeção de espuma densa para varizes de grande calibre, pelo baixo risco e curto tempo de recuperação. Nas varicoses, são usados crioescleroterapia, laser transdérmico ou uma combinação destas duas técnicas”, aponta Schmitt.

Para prevenir as varizes e os incômodos que elas provocam, Andressa recomenda alguns cuidados. “Indicamos atividades ,físicas de baixo impacto, como caminhada e natação, uso de meias compressoras por quem tem varizes ou passa a maior parte do dia em somente em pé ou só sentada e a elevação das pernas durante o repouso”, diz Andressa.