Independente de qual seja a sua idade, com certeza você tem pelo menos uma boa lembrança de algum professor que tenha passado por sua vida, auxiliando-o em sua formação, seja ela na escola ou no Ensino Superior. Este profissional faz parte da trajetória de qualquer pessoa que tenha frequentado o ambiente escolar em algum momento de sua vida, mesmo que apenas por um dia. Não é à toa que existe uma data especial em homenagem a ele, o Dia do Professor, comemorado esta semana. No entanto, para um professor deixar sua marca na memória dos alunos, ele enfrenta o desafio diário de envolvê-los com seu conhecimento.

Com a tecnologia, o desafio de quem opta por trabalhar em sala de aula está cada vez maior. Trabalhar apenas com os livros deixou de ser a realidade do professor há muito tempo. Atualmente, ser professor significa ocupar uma função multifacetada, incluindo o envolvimento direto com o desenvolvimento da criança, além da grade de disciplinas ensinadas dentro da sala de aula. O conhecimento também não pode mais ser repassado apenas por meio de atividades tradicionais, a partir do momento que o aluno tem acesso livre à informação com a internet. São desafios e adaptações que todo professor deve refletir. “O professor hoje é um tutor, que ajuda a organizar as ideias da criança. Ele já vem com uma série de informações. Por isto, orientamos o professor a fazer uma pré-leitura deste conhecimento da criança antes de começar a trabalhar. O professor deve transformar todas estas informações em conhecimento. O professor é muito mais um mediador do conhecimento”, afirma Esther Cristina Pereira, diretora da Escola Atuação.

De acordo com ela, este novo olhar para o papel do professor e da escola inclui fazer do conhecimento algo que o aluno possa aplicar em seu dia a dia. Não adianta, por exemplo, decorar os nomes dos rios da região amazônica se a criança não sabe os nomes dos rios que cortam a sua própria região. “Hoje, o professor precisa dar justificativa para o conhecimento porque o aluno pergunta a necessidade de aprender aquilo e no que ele vai usar. O professor precisa fazer com que a criança tenha o conhecimento e que seja útil para ela”, explica Esther.

Fora tudo isto, o professor ainda recebe o desafio de ajudar na formação das crianças e adolescentes, que enxergam a figura deste adulto dentro da sala de aula como uma pessoa de confiança. Muitas vezes, os papéis de educador e de psicólogo se misturam, segundo a diretora. “O professor se transforma no tutor psicólogo do adolescente, que tem liberdade para falar com ele os problemas familiares, os conflitos em sala de aula e até dos ‘namoricos’”, comenta a diretora.

Relação cada vez mais próxima

Diante de todas estas mudanças, os professores tentam interagir ainda mais com a família dos alunos para fazer uma parceria, sempre no foco para o melhor desenvolvimento da criança e do adolescente. Na Escola Atuação, por exemplo, os pais interessados em matricular seus filhos participam de uma reunião na qual são apresentadas as filosofias da instituição. “Somos rígidos quanto ao horário e os pais precisam ver se é isso o que eles querem”, exemplifica Esther.

Para a diretora, pais e família devem falar a mesma língua. “É muito difícil quando a família se anula neste processo”, opina. A professora Ana Cláudia Reis, que está à frente de uma turma de 4º ano do Ensino Fundamental na unidade Boqueirão da Escola Atuação, vive diariamente este contato com os pais de seus alunos. “Quando encontramos famílias parceiras, o trabalho flui. Hoje, o professor é visto como segunda parte da família do aluno. Não trabalhamos apenas com o aluno porque, por trás, existe uma estrutura familiar”, avalia.

A psicoterapeuta familiar e professora do curso de Psicologia da Pontif&iacut,e;cia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Janice Strivieri, esclarece que a família é o primeiro espaço para aprendizagem e, a partir da convivência familiar, a criança desenvolve a sua identidade social. “Às vezes, a família não cumpre sua tarefa básica e a escola fica em uma posição difícil. Ou a família “passa a bola” para a escola ou o contrário. Tanto a família quanto a escola ensinam a viver”, ressalta.

A professora acredita que a parceria entre escola e família é o melhor caminho para a formação da criança. “Quando a escola questiona se a família está cumprindo seu papel, ela também deve se questionar se está fazendo a sua parte. Educar é estar junto e às vezes é brigar e colocar limites. Deve haver intimidade, mas tem que ser pai e mãe”, indica.