Não, não é ficção científica. Você já pode congelar as células responsáveis pela elasticidade e tonicidade da sua pele para usá-las daqui a 10, 20 ou 30 anos. O segredo da juventude fica guardado em laboratórios ultra-modernos e com tecnologia de ponta. A inovação, que agora invade a área de dermatologia e estética, se baseia nos estudos de células tronco.

O procedimento se chama terapia celular. Ele é feito com a retirada de fibroblastos, as células responsáveis pela produção de colágeno e elastina. Isolados, eles são cultivados em laboratório e depois reaplicados em injeções intradérmicas. Como não há o uso de substâncias químicas, os resultados prometem ser naturais, gradativos e sem contra-indicação. Isso porque as células retiradas são do próprio paciente e o risco de rejeição ou reações alérgicas ao material injetado é mínimo. A técnica pode ser utilizada para prevenir o envelhecimento e amenizar rugas, flacidez e até cicatrizes.

“Trata-se de um tratamento utilizado para prolongar a juventude da pele”, diz a dermatologista pioneira do procedimento no Brasil, Paula Bellotti – membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Socieétè Française Dermatologie. O material retirado permanece em laboratório por 45 dias para que se multipliquem e se transformem em novas células. “Esta espera resulta na origem de milhares delas que passam a produzir colágeno novo num período de aproximadamente 10 anos”, esclarece a especialista.

Nos primeiros dias, a região pode apresentar vermelhidão e certo inchaço. Em geral, são necessárias três sessões com intervalos de 30 dias. A especialista ressalta “que como não se trata de um preenchimento os resultados não são imediatos, mas perceptíveis após algumas semanas”. O tratamento pode ser realizado na face e nas regiões onde o envelhecimento da pele é mais visível como colo, mãos e pescoço.

Mesmo quem ainda não se preocupa com os sinais do tempo pode estar realizando o procedimento. É que a terapia celular possibilita o congelamento de fibroblastos por mais de 50 anos. Quanto mais jovem for a célula, maior é a chance de multiplicação. “Se o material for reaplicado após 15 ou 20 anos o efeito será melhor”, esclarece a médica.