Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

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Compreensão dos cientistas de como tudo começou cresce mais a cada ano.

Há milênios, o homem procura uma resposta para as questões relativas à origem e ao fim do universo. Hoje, somos capazes de dar uma resposta satisfatória a estas questões que revelam os segredos mais profundos da natureza. Os atores e personagens dessa revolução científica, que têm como palco os observatórios e os laboratórios do mundo, compreendem os caçadores de galáxias, os detectores de microondas, os teóricos especializados nas equações matemáticas dos modelos de universo e os físicos demolidores de átomos; todos à procura da matéria escura, da energia escura, e dos habitantes – cada dia mais numerosos – no microjardim zoológico das partículas.

Hoje, os cientistas sabem como o universo poderá terminar e estão capacitados também a compreender como ele começou. Suas descobertas constituem um dos maiores triunfos da ciência moderna, comparável à decifração do genoma humano.

Formado em Matemática pela Universidade de Yale, o escritor Charles Seife que, além de trabalhar como pesquisador e jornalista, já publicou interessantes artigos em importantes revistas de divulgação científica, como a New Scientist e a Scientific American. Seu primeiro livro, Zero: the biography of a dangerous Idea, ganhou o prestigiado Pen Award de não-ficção. Agora, a editora Rocco publicou o seu novo livro: Alfa e Omega: a busca pelo inicio e o fim do universo, na excelente tradução de Talita M. Rodrigues.

Redigido com uma clareza incomparável e de um entusiasmo contagioso, Charles Seife fornece todas as respostas às questões suscitadas pelos leitores não especialistas, que vêm sofrendo o impacto das mais numerosas notícias divulgadas pelos periódicos sobre as mais recentes descobertas cosmológicas. Sua exposição transforma a ciência mais avançada em algo maravilhosamente claro, emocionante e excitante. Sabe separar a ciência da religião, pois não é dogmático. Sua leitura é conveniente aos leitores preocupados com esta questão tão atual.

A narrativa de Seife sobre os fundamentos da cosmologia, além de atrair os leitores interessados na literatura científica popular, permite explicar a importância das supernovas – e os seus caçadores que procuram nas estrelas explosivas – como meio de determinar a taxa de expansão do universo, descobrindo que a expansão parece acelerar como se houvesse uma força capaz de provocar também a sua desaceleração.

No mais íntimo da escala subatômica, um inesperado resultado: é que é necessária a existência de uma ainda não descoberta força de repulsão. Seife faz conjecturas acerca das fronteiras do espaçotempo e em sua representação contínua dos fenômenos restabelecidos. Isso, além de fornecer um exame detalhado da ?teoria de tudo?, desde a antiguidade às descobertas mais recentes, segundo o qual o universo está se expandindo numa taxa sempre mais rápida que parece defender essa idéia.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo, criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins. Escreveu mais de 85 livros, entre outros, Anuário de Astronomia e Astronáutica 2007. 

Teorias buscam novas explicações

Uma outra ?teoria de tudo?, freqüentemente denominada ?teoria M?, associa o estranho mundo da teoria da supersimetria à teoria das cordas. Segundo a supersimetria, cada partícula tem um supercompanheiro gêmeo dotado de propriedades muito diferentes das partículas subatômicas familiares. Assim procedendo, procura resolver a questão relativa à matéria faltante no universo, visto que as partículas bariônicas que podemos detectar compreendem somente 5% do total existente no cosmos. A teoria da corda postula a existência de minúsculas membranas inimagináveis e onduladas com dimensões múltiplas.

Seife explica também como os projetos em grande escala estão sendo desenvolvidos em vários pontos da Terra com o objetivo de detectar as ondas da gravidade, um dos grandes desafios da ciência.

Em resumo, Charles Seife conseguiu-se no seu livro Alfa e Omega: a busca pelo inicio e o fim do universo, com as suas explanações, esclarecer com grande lucidez os tópicos, em geral muito complicados para a maior parte dos leitores. Não tenho dúvida de que a sua exposição está ao alcance até mesmo daqueles pouco habituados à leitura científica. Apesar de respeitar os aspectos acadêmicos, usando os termos técnicos convenientemente, Seife recorre às imagens e à linguagem mais simples possível para explicar muitas das complexidades que envolvem as teorias das partículas do microcosmo e as teorias ou hipóteses cosmológicas mais complexas do macrocosmo. (RRFM)