Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

  Arquivo / O Estado
Arquivo / O Estado

A bomba causou um impacto brutal
tanto física quanto, pricipalmente, emocional nos japoneses.

Em 2 de agosto de 1939, ou seja, seis anos antes de Hiroshima e Nagasaki, Albert Einstein assinou o primeiro documento oficial pressionando o governo a desenvolver armas nucleares. Nessa carta, Roosevelt era advertido dos resultados já desenvolvidos sobre a energia nuclear solicitando que procurasse com o apoio dos físicos desenvolver um projeto destinado à construção de bombas atômicas ao mesmo tempo em que advertia estarem os alemães desenvolvendo tais dispositivos tendo em vista a interrupção da venda de urânio na Checoslováquia.

Embora Einstein tivesse assinado a carta, esta foi redigida por Szilard; um ardente defensor da fabricação da bomba, mas também o principal oponente a sua utilização. Mais tarde, o pai da relatividade, um pacifista desde a juventude, explicaria a sua atitude em virtude do medo de uma tal arma nas mãos do governo nazista alemão.

Na Inglaterra, o projeto atômico inglês Maud Committee -, foi desativado em 1942, pois a situação da guerra na Europa impedia o desenvolvimento de um grande projeto, uma vez que as instalações estariam facilmente ao alcance da aviação germânica. Diante dessa situação a Inglaterra passou a colaborar com o Projeto Manhattan.

Para apressar uma decisão, Alexander Sachs comparou a situação à de Napoleão quando recusou a construção de navios a vapor graças aos quais poderia ter desembarcado na Inglaterra mesmo aos ventos contrários. Em conseqüência dessa comparação Roosevelt respondeu simplesmente: "É necessário agir".

Três meses depois de receber a carta de Einstein, Roosevelt respondeu a Einstein e, logo em seguida, criou um comitê consultivo do urânio. Os primeiros recursos, cerca de 6 mil dólares, só foram liberados em 20 de fevereiro de 1940. Preocupados, Szilard e Sachs fizeram um novo apelo a Einstein com objetivo de pressionar o presidente, quando uma segunda carta foi escrita informando que os alemães continuavam com as suas pesquisas secretas. Einstein não contribuiu pessoalmente para o projeto atômico. Ao tomar conhecimento do bombardeamento de Hiroshima pelos jornais, disse: "Se soubesse jamais teria assinado aquela carta".

Ao contrário do que se acredita, não foi a Alemanha que fez com que os norte-americanos acelerassem a fabricação da bomba, mas os japoneses, quando em 7 de setembro de 1941, sem declaração de guerra, atacaram e destruíram a frota norte-americana no Pacífico estacionada em Pearl Harbour. Dois dias depois, dia 9 de setembro, os Estados Unidos entrou na guerra e em 16 de dezembro decidiu que o país deveria possuir armas nucleares. A partir de então um esforço enorme de recursos foi injetado no projeto; até o fim da guerra foram gastos 2 bilhões de dólares.

O programa nuclear – Projeto Manhattan visava coordenar as pesquisas que se realizavam em 4 centros universitários: Columbia, Princeton, Chicago e Berkeley. O organograma desse projeto era muito nítido: em julho de 1942, estavam certos da possibilidade das reações em cadeia; em janeiro de 1943, a realização da primeira reação em cadeia e em janeiro de 1945 a conclusão da bomba atômica. Esse programa foi obedecido com uma variação de 6 meses para cada etapa.

 Em meados de setembro de 1942, o general Leslie Groves foi nomeado pelo secretário de guerra para coordenar e chefiar a parte militar do Projeto Manhattan

Urânio ou plutônio

Nessa primeira etapa, a preocupação era procurar um elemento químico que fosse capaz de servir para criação de uma arma que utilizasse a gigantesca energia liberada pela fissão. Ora, esta exigência deveria responder a dois critérios: a facilidade e a qualidade de produção desse elemento. Dois caminhos se apresentavam para se obter esse elemento, de início o urânio e o plutônio (elemento recentemente descoberto que não existia na natureza, mas que poderia ser obtido ao se bombardear o urânio natural). Niels Bohr havia calculado que uma única variedade (isótopo) de urânio poderia ser fissionada: urânio 235. Mas, por ser muito raro; era necessário separá-lo do resto do urânio: o obstáculo parecia intransponível. No entanto, o plutônio, também raro, teria também que ser produzido em quantidade suficiente. Depois de vários estudos de reação em cadeia, concluiu-se, em março de 1941, que as primeiras experiências davam uma resposta positiva. O projeto era factível com a condição de que os problemas técnicos relativos as separações isotrópicas fossem resolvidas de maneira satisfatória. Uma vez ultrapassados esses problemas técnicos de reparação, o último obstáculo era a produção de uma quantidade suficiente de material fissível ou físsil.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão fundador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no qual hoje é pesquisador titular, sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e autor de mais de 70 livros, entre outros, do "Explicando a Teoria da Relatividade".

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