Muitas são as propriedades do cobre. O metal é condutor de energia elétrica e térmica; não corrói; é flexível; resistente; e seguro. Isso faz com que o material tenha várias aplicações. É utilizado em instalações elétricas; térmicas; hidráulicas; de gás, etc. No entanto, é uma característica já sabida, mas só agora atestada que vem chamando a atenção: o cobre é um metal bactericida e pode ser aplicado em equipamentos hospitalares. Esta seria mais uma forma de reduzir os índices de infecção.

O fato foi divulgado esta semana, pelo Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre). Depois de vários testes e pesquisas, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos comprovou que o cobre tem propriedade bactericida e é capaz de destruir até mesmo as mais resistentes bactérias inclusive a ?superbactéria? (MRSA).

De acordo com o diretor do Procobre, Antônio Maschietto, esse metal sempre teve essa propriedade. ?Inclusive antigamente, era usado em panelas, jarras. É inerente do material. O que foi feito agora foram testes que demonstraram que o cobre age e elimina essas substâncias em até uma hora. Isso demonstra que o produto pode ser usado até para fins médicos?, diz.

Maschietto diz que nunca se pensou em utilizar o cobre nos equipamentos do ambiente hospitalar como camas, maçanetas, até sala de cirurgia. ?Testes estão sendo feitos em hospitais da Inglaterra e dos Estados Unidos. Essa pode ser uma solução tecnológica que venha contribuir para o salvamento de muitas vidas?, conclui.

Pesquisa

O doutor Guillermo Figueroa, chefe do laboratório de microbiologia e probióticos da Universidade do Chile, explica que o mecanismo de ação do cobre é sempre bactericida, destruindo completamente a célula. ?A superfície de cobre reage contra as bactérias, porém os mecanismos químicos e moleculares responsáveis pelas propriedades antimicrobianas do metal são muito complexos e ocorrem de formas diversas, como, por exemplo: o excesso de cobre reduz a integridade da membrana dos micróbios, diminuindo nutrientes essenciais para a célula, como o potássio e o glutamato, com subseqüente morte da célula?, diz.

O pesquisador ainda afirma que a aprovação da EPA, certificando o cobre como agente bactericida para o S. Aureus (MRSA) e outras bactérias patógenas, significa, para a sociedade em geral, uma imensa porta de futuras aplicações bactericidas. ?Na área médica, por exemplo, algumas mudanças já poderão ser notadas: passarão a produzir, por exemplo, infra-estruturas, equipamentos, instrumentos e desinfetantes a base de cobre que não estão disponíveis no mercado atualmente?, conclui.

Em relação ao aspecto econômico do fato, Figueroa diz que ?poderemos prever que irá aumentar a demanda pelo cobre no mercado. Este incremento na aplicação prática acontecerá na medida em que surjam empresas que comecem a produzir esses produtos inovadores tendo o cobre como base?.