Foto: Ciciro Back

Danilo Mattos de Carvalho, da Alô Ingressos: ?Mercado em franca expansão?.

Os ingressos de papel para eventos em geral podem estar com os dias contados em Curitiba. Introduzido a três meses na cidade, o mobile ticket (ingresso entregue via telefone celular) pode ser a solução para muitos problemas enfrentados hoje pelos produtores culturais e esportivos. Entre os maiores transtornos, estão a entrega das entradas compradas antecipadamente e a falsificação dos bilhetes. Além dos benefícios aos organizadores, a iniciativa vai trazer mais conforto para o consumidor desse tipo de serviço.

A novidade foi trazida para o Paraná pela Alô Ingressos e já foi utilizada em dois eventos realizados na capital. De acordo com o proprietário da empresa, Danilo Mattos de Carvalho, a iniciativa consiste em aliar um sistema de venda online com uma entrega feita com custos reduzidos. ?Hoje a pessoa que compra o ingresso por internet ou telefone tem de bancar os custos de entrega por motoboy, que muitas vezes não compensam. Com o mobile ticket, ela recebe a entrada por mensagem de celular, com um código de barras que vai garantir sua entrada?, contou.

A nova tecnologia também auxilia os produtores de eventos. Segundo Danilo, eles podem controlar melhor o fluxo de caixa do espetáculo, evitar os cambistas e acabar com as falsificações. ?Na internet o organizador pode acompanhar quantas entradas foram vendidas e até fazer promoções de venda antecipada?, disse.

No quesito segurança, o mobile ticket também não deixa a desejar. O proprietário explica que a lista com o nome dos compradores, com CPF e RG, só é enviada para o local pouco antes do início do evento. ?Não há como o mesmo código entrar duas vezes. E, caso a pessoa seja roubada ou perca o celular, pode entrar apresentando um documento?, completou.

Os custos de instalação, geralmente algo proibitivo quando se trata de novas tecnologias, também são um atrativo para os produtores. ?Como toda a infra-estrutura fica na Alô Ingressos, para controlar a entrada do público bastam computadores e leitores comuns de códigos de barras?, explicou.

Experiências

De um lado o código no celular, do outro convites de papel.

Os eventos piloto para o uso do mobile ticket foram festas realizadas em junho em Curitiba, onde foram feitas cerca de 800 validações de convidados especiais. Um dos eventos foi o aniversário da casa noturna Rancho Brasil. De acordo com Ricardo Corrêa Melani, proprietário do estabelecimento, a aceitação do público que utilizou o ingresso no celular foi excelente. ?Uma ou outra pessoa ficou meio receosa, mas 98% adoraram a idéia. Pelo menos os meus conhecidos que utilizaram ficaram bem satisfeitos?, disse ele.

A idéia de Ricardo é utilizar a tecnologia em outros eventos realizados no Rancho. ?Para nós é bem convidativo. É um conforto muito grande porque a pessoa não precisa sair de casa para comprar o ingresso. No nosso negócio, temos de agradar o cliente?, concluiu.

Tecnologia usada no exterior

Desenvolvida na Escócia, a tecnologia de mobile marketing foi licenciada no Brasil pela Movile, empresa que fica no interior de São Paulo. De acordo com seu diretor-geral, Eduardo Lins Henrique, a novidade está sendo implementada no Brasil inicialmente na área de espetáculos. ?Temos a vocação de observar o mercado mundial de tecnologia para marketing. O que há de melhor, licenciamos para o Brasil e adaptamos a política comercial para o País. O modelo de prestação de serviços também é adaptado à realidade local?, explicou.

Além das aplicações em eventos, o mobile ticket também pode ser utilizado para outros fins. ?No Reino Unido, que é onde esse tipo de marketing está mais desevolvido, há empresas de passagens aéreas e de trem que vendem suas passagens utilizando a entrega via mensagem de celular. Numa delas, na Escócia, 40% das vendas já são feitas por esse sistema?, concluiu.

GSM

Segundo o gerente de parcerias da Okto, empresa que cuida da intermediação com as operadoras de telefonia celular, Ronaldo Fernandes, a grande vantagem do mobile ticket é a facilidade de acesso e popularização. ?Qualquer celular GSM, mesmo aqueles mais baratos, pode receber os códigos de barra. Que nada mais são que uma mensagem de texto com uma tecnologia mais elaborada?, afirmou.

De acordo com ele, a receptividade por parte das empresas até agora foi positiva. ?Pelo que nós sentimos há uma boa aceitação do produto por parte das operadoras?, afirmou. (FK)