Foto: Valquir Aureliano/O Estado

A maioria dos usuários conecta seus computadores portáteis com placas como esta, que são oferecidas pelas principais operadoras de telefonia móvel.

Conectado. Cada vez mais esse termo é associado a empresários e executivos sempre apressados e loucos por informação. Tal característica, diria qualquer sociólogo de plantão, é um dos delineadores da vida moderna e bem pode soar como chavão para quem está por dentro das últimas tendências tecnológicas. Mas o fato é que o termo e as possibilidades de se estar conectado, cai como uma luva para o antigo ditado ?tempo é dinheiro?. ?Tendo um laptop com conexão sem fio à internet você pode estar num almoço com clientes e garantir o fechamento do negócio ali, na hora, sem se correr o risco da pessoa pensar uma segunda vez ou o negócio melar por causa da demora?, explica Nelson Loureiro Alves, coordenador de vendas coorporativas da Claro. Ele mesmo, afirma, já garantiu contratos pela possibilidade de acessar dados em lugares remotos.

E diferentemente do wi-fi -assunto tratado na primeira reportagem sobre redes wireless em Curitiba, publicada na última semana – a tecnologia de conexões via redes de celulares permite que onde exista um sinal de celular, a pessoa consiga acesso à grande rede, não dependendo dos hotspots, que têm limitação de espaço. ?Pelo crescimento e barateamento acelerado dessa tecnologia, em médio prazo, todos usarão esse tipo de conexão, até pelo diferencial que cria na relação entre profissionais e seus clientes?, aposta Ari Laércio Boehme, diretor superintendente da TIM Sul. E para o público em geral, a tão comentada convergência de mídia, onde o usuário acessa dados, voz e imagem ao mesmo tempo, impulsiona a procura por esse tipo de produto. ?A demanda por conexão via celular tem crescido bastante entre o usuário não corporativo?, acrescenta.

3.ª geração

A tecnologia que permite a existência de tais redes, apesar de parecer nova para a maioria das pessoas, já está na terceira geração no Brasil. Duas delas, a 1x e 1xEV-DO – Evolution Data Optimized -, que utilizam redes CDMA, e a Edge – Enhanced Data Rates for Global Evolution -, que utiliza redes GSM, são o que os marqueteiros apelidaram de 3G. Um quarto tipo de conexão, o GPRS (General Packet Radio Service), também de redes GSM, é considerado da geração passada, a 2,5G. ?Onde houver sinal de celular, o usuário pode utilizar a internet. E as velocidades que atingem já superam em muito as conexões por cabo das residências?, explica o gerente de comunicações da Vivo, João Ney Marçal Junior.

Para atestar as maravilhas que cada uma das três maiores operadoras de telefonia celular no Paraná prometem com seus produtos, a reportagem de O Estado testou os serviços Zap 3G da Vivo, a TIM Connect Fast e a Claro Edge, e atesta: realmente, a ADSL caseira nunca pareceu tão vagarosa.

O que é?

Não é difícil compreender o que quer dizer as tecnologias por trás desse emaranhado de siglas. O Zap 3G utiliza as novíssimas redes 1xEV-DO, por CDMA, e os serviços da TIM e da Claro utilizam o Edge, permitidos pelos chips das redes GSM, tudo igual aos celulares. O primeiro fator que o leitor deve levar em conta é que assim como as ligações por celular, as conexões precisam de antenas que disponibilizam a tecnologia e bons sinais por perto, ou seja, só funcionam para valer dentro da área de cobertura. E vale a mesma coisa para locais com muitos usuários: quanto mais gente utilizando o serviço ao mesmo tempo, pior é sua performace.

Algumas dessas conexões podem ser realizadas com o próprio celular do usuário através de cabos ou conexões sem fio, fazendo com que o aparelho se comporte como um modem. Mas, para as conexões mais velozes, é necessário utilizar modelos modernos e caros, além de cortar a função de fala do celular. Por isso, a maioria dos usuários prefere conectar seus computadores portáteis com placas PCMCIA. Para os testes, a reportagem utilizou um laptop com placas cedidas pelas operadoras: para os serviços da TIM e da Claro utilizou a CG85 da SonyEricsson, e para o serviço da Vivo, a Kyocera Passport EV-DO.

 

Reportagem testou a velocidade de conexão oferecida pelas operadoras de telefonia móvel

Os testes de conexão foram realizados num mesmo local onde todos os serviços atingiram qualidade máxima de sinal e foram medidas pelo software Batch Bandwitdh Monitor. Toda vez que a reportagem mudava o serviço a ser testado, o computador era reiniciado e o cache do navegador, apagado. Para que o usuário entenda bem o que representa as velocidades oferecidas, a reportagem cronometrou o tempo de download de um mesmo arquivo de mp3 com 3,2 Mb, e o tempo que a conexão levou para carregar a página inicial do site Paraná On-line.

Para carregar a página do site, com 51,1 kb, o Zap 3G levou 14,72 segundos, com pico de velocidade de 29,2 kb por segundo. O serviço da TIM precisou de 33,62 segundos, com pico de 17,5 kb, resultado muito parecido com o da Claro, que levou 34,65 segundos, com pico de 14,2 kb.

Já para o download do arquivo, a conexão da Vivo mostra muita diferença. Para baixar os 3,2 Mb do mp3, precisou de apenas 2 minutos e 28 segundos, com pico de 39,2 kb. As conexões em Edge da Claro e da TIM novamente apresentaram resultados parecidos: 3 minutos e 37 segundos e 3 minutos e 57 segundos, respectivamente, com picos de 21,1 kb e 24,5kb.

Dificilmente um cliente normal mudará de operadora devido aos serviços oferecidos para conexão de portáteis. As diferenças devem afetar mais o mercado corporativo, com empresários e executivos que precisam de muita mobilidade. O Zap 3G é de longe a mais veloz entre os três, mas ainda tem um grande limitador, com poucas antenas que oferecem o serviço no País. Os resultados da Claro e da TIM foram muito próximos, tendendo um pouco mais para a última caso o cliente precise de acesso em lugares muito remotos. Caso a pessoa esteja interessada em utilizar muita banda, aí a Claro sai na frente devido ao seu pacote ilimitado. (DD)

 

EV-DO é o que se tem de mais moderno, possibilitando transmissão de dados de até 2,4 Mbps

Atualmente o EV-DO é o que se tem de mais moderno em conexão wireless, possibilitando, segundo a empresa, transmissão de dados de até 2,4 Mbps. Mas o serviço da Vivo, por enquanto, só é oferecido para o mercado corporativo e apenas em algumas antenas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre e Distrito Federal. Fora dessas localidades, assim como para o usuário comum, a empresa oferece o serviço Zap, que se conecta pela rede 1x. Em Curitiba e São Paulo, o teste da reportagem de O Estado conseguiu conexões com bons sinais e velocidades muito altas, de quase 2 Mbps, bem acima do que normalmente se tem em conexões caseiras com ADSL ou Cable Modem. Já no Rio de Janeiro e no litoral paranaense, os sinais só permitiram conexão em 1x, o que nos serviços testados, ofereceu as mais baixas taxas de conexão.

O serviço da Vivo, para o usuário corporativo, custa R$ 199,80 para utilização de 1 Gb de tráfego. O Mb extra custa R$ 1,50. Na avaliação da reportagem, o limite é baixo, levando-se em conta que em altas velocidades o cliente provavelmente não se limitará a apenas ler e-mails e acessar sites de texto. Em altas velocidades, é normal o usuário baixar vídeos e músicas, o que faz com que seja difícil se manter no limite de tráfego do pacote. Para o cliente caseiro, a operadora oferece o Zap, que tem pacotes de 10 Mb, por R$ 69,80, 40 Mb, por 99,80, e 1 Gb por R$ 199,80. De acordo com a empresa, a placa EV-DO é cedida em comodato para os clientes corporativos.

Claro Edge

A Claro disponibiliza para seus clientes os benefícios da tecnologia Edge, que segundo a operadora garante tráfego de dados a uma velocidade de até 236 Kbps. O serviço funciona na maioria dos Estados, mas nas localidades que não oferecem a tecnologia, a conexão é feita por GPRS. Entre os três serviços testados, o da Claro é o que apresentou pior qualidade de sinal, o que é explicado pela quantidade de antenas, menor que a das concorrentes. O preço em média da placa CG85 é R$ 699, sendo que este valor varia de acordo com o plano contratato. O pacote de 5 Mb custa R$ 20, o de 10 Mb R$ 35, 40 Mb R$ 80, e o ilimitado R$ 100.

TIM Connect Fast

O serviço da TIM é o único com cobertura de dados nacional, ou seja, atende o cliente em todo o Brasil, e durante os testes foi o que ofereceu a melhor qualidade de sinal. O serviço não tem franquia mínima, o cliente paga só o que utilizar e ganha descontos progressivos, conforme a utilização. Porém, para quem tem planos pré-pagos, o preço é bem salgado: R$15,73 por Mb. Para o pós-pago, o preço varia de R$ 4,20 a R$ 5,99, de acordo com a quantidade de dados utilizado. Para quem utilizar mais de 10 Mb por mês, a operadora também oferece pacotes: R$ 44 por 10 Mb; R$ 82 por 40; e 169 por 1Gb. (DD)