Com aplicação de terapia genética, cientistas americanos tornaram roedores de comportamento notoriamente promíscuo em companheiros fiéis e monogâmicos. A mudança de um único gene, inserido nas células de uma região específica do cérebro, em arganazes da pradaria (Microtus pennsylvanicus) machos produziu a transformação. Os resultados da experiência são relatados na edição desta semana da revista científica britânica Nature. O gene controla a produção da proteína receptora de vasopressina, presente naturalmente em maior quantidade em um tipo semelhante de roedor (Microtus ochrogaster), que é monogâmico. A proteína regula o comportamento social e a formação de pares. A concentração maior é localizada em uma região frontal do cérebro envolvida na sensação de recompensa e no desenvolvimento de compulsões. Usando um vírus inofensivo para introduzir o gene nas células, os pesquisadores dotaram os machos promíscuos de mais receptores de vasopressina nessa área do cérebro. Eles acreditam que, com isso, aumentaram a sensação de recompensa associada à formação de um par.