Quem nunca ouviu um pai reclamar de que seu filho adolescente não o escuta? Mas, segundo um novo estudo, pode ser que os adolescentes de hoje literalmente não conseguem ouvir direito.

A perda de audição entre adolescentes aumentou em mais de 30% desde meados de 1990. Hoje, quase um em cinco adolescentes tem algum grau de perda auditiva significativa. Mais preocupante ainda, os médicos não sabem explicar a razão para tal aumento dramático.

A tendência de agravamento tem conseqüências tanto a curto quanto a longo prazo. Ao contrário da perda da visão, a perda de audição não pode ser bem tratada. Na maioria das vezes, ela passa despercebida.

Assim, os adolescentes com deficiência auditiva podem sofrer de pior desempenho na escola, e a perda geralmente segue em um processo lento, piorando muito quando se atinge cerca de 35 anos, especialmente nos homens.

Os cientistas compararam dados sobre audição de uma grande pesaquisa realizada com cerca de 3.000 adolescentes entre 1988 e 1994 com um levantamento atualizado feito com cerca de 1.800 adolescentes diferentes a partir de 2005 e 2006.

Em cada categoria, independentemente da freqüência ou altura dos sons escutados ou grau de perda auditiva, a mais recente geração de adolescentes teve pior audição. Os investigadores não identificaram as causas, como mais infecções de ouvido ou exposição a ruídos altos e súbitos, como tiros.

O ruído seria o principal suspeito, senão o culpado óbvio. A sociedade desenvolvida tem um tráfego barulhento, ferramentas elétricas, aparelhos e amplificadores assassinos, e muitos outros barulhos que se combinam ao longo de uma vida inteira para matar as células internas sensíveis da orelha. Embora o ruído da sociedade moderna tenha estado presente desde 1990, um dispositivo que é relativamente novo é o fone, e pode causar bastante estrago.

Porém, a relação do ruído com a perda de audição não foi suficientemente específica e clara. Ainda assim, os pesquisadores dizem a perda não é natural, e que deve haver fatores ambientais contribuindo para esse aumento.

Os pesquisadores dizem que isso pode ser o início de uma epidemia de perda auditiva. Segundo eles, o papel do ruído merece um estudo mais aprofundado, para que os investigadores possam definir de uma por todas a causa de tal “epidemia”.