Uma aranha grudada de cabeça para baixo, em uma planta qualquer no meio da mata ou mesmo no teto, é uma imagem que sempre surpreende. Intrigados com as forças físicas que estão em jogo em uma cena como essa, um grupo de pesquisadores do Instituto de Zoologia Técnica e Biônica da Alemanha resolveu olhar o fenômeno mais de perto. Com auxílio de um microscópio atômico, os cientistas alemães e suíços que participaram da pesquisa conseguiram identificar com precisão por que as aranhas saltadoras do gênero Evarcha arcuata não costumam despencar. O trabalho do grupo está publicado no Smart Materials and Structures. “Descobrimos que, por ter cerca de 600 mil microestruturas em contato com a superfície, a aranha consegue produzir uma força adesiva 170 vezes maior do que o seu próprio peso”, disse Andrew Martin, um dos responsáveis pela pesquisa, junto com Antonia Kesel e Tobias Seidl. Os pesquisadores europeus identificaram a força como sendo a de Van der Waals, um tipo de atração eletrostática que existe entre dois corpos. Em alguns casos, pode ser considerada semelhante à atração magnética entre os dois pólos da Terra. No caso das aranhas, o movimento bipolar de elétrons, e também de moléculas, é provocado pelo deslocamento de cada uma das nanoestruturas que existem nos apêndices de locomoção das aranhas.