O que antes era considerado uma alternativa barata, porém de segunda linha, o software livre no Brasil vem evoluindo de tal maneira que, além de qualidade, oferece economia e agilidade para as mais diversas áreas de atuação.

Essa constatação foi explanada por profissionais e pesquisadores de software livre na última semana, em Curitiba, durante o Primeiro FreeFESP. Na ocasião, foram abordados os avanços na área, além das mais promissoras pesquisas que podem implantar conceitos no Paraná e no Brasil.

Para o programador Ricardo Soares Guimarães, a mudança do olhar dos usuários quanto ao software livre se deve à facilidade de acesso à programação e à qualificação dos profissionais da área.

Entre os exemplos sobre a facilidade de acesso, Guimarães cita a disponibilidade de extensão do Firefox.

Segundo ele, o que a princípio trata-se de um browser para navegar na internet pode ser transformado em um software multifuncional.

De acordo com Guimarães, é possível programar o Firefox para executar ações que não fazem parte da internet, já que o navegador livre, desenvolvido pela Mozilla Foundation, também é uma multiplataforma que permite controlar a liberação de catracas de acesso, por exemplo, ou ainda chegar ao ponto de substituir toda a interface do Windows utilizando a linguagem XUL.

“Com essa programação também é possível oferecer segurança para pais, cujos filhos podem estar expostos aos riscos da internet. O pai pode acessar o que o filho está visualizando na tela do computador de um outro micro à distância, podendo inclusive desabilitar o teclado”, afirma.

Para Guimarães, o status que o software livre já conquistou também pode ser creditado ao desenvolvimento e uso de programas nos órgãos públicos.

Como exemplo, ele ressalta que equipes de desenvolvedores ligados aos executivos estão substituindo todos os aplicativos nas unidades públicas prestadoras de serviço.

“Hoje já existem softwares próprios nas áreas de educação, transporte e saúde. No Paraná os sistemas estão inclusive sendo vendidos para fora”, diz.

Dentre os softwares de órgãos públicos, o programador destaca os programas direcionados para os órgãos de educação, desenvolvidos para gestão de estabelecimentos de ensino. “Outro exemplo bem sucedido é o programa usado pelo Detran-PR, desenvolvido pela Companhia de Informática do Paraná (Celepar)”, completa.

Para Patrícia Fisch, diretora do Projeto Software Livre Paraná (PSL-PR) – uma das organizadoras do FreeFESP, junto com a Fundação de Estudos Sociais do Paraná (Fesp) – uma das vantagens do software livre é a aproximação que ele proporciona entre desenvolvedores, programadores e usuários.

Além disso, segundo Patrícia, trata-se de um sistema mais maduro e seguro, já que a todo momento há troca de informações para melhorar os programas e ferramentas. “É bom ressaltar que é um modelo de negócios rentável, que gera um networking fantástico e aprendizado rápido”, afirma a diretora.

Oportunidade de inovação desenvolvida no Paraná

Anderson Tozato
Ricardo: “Inclusão dig,ital”.

Um dos exemplos de softwares abertos, desenvolvidos no Paraná e que abre uma oportunidade de inovação é o Sistema Multi-Head, criado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que possibilita a conexão de cinco monitores, teclados e mouses em um único computador.

O programa, de acordo com o programador Ricardo Soares Guimarães, pode significar economia não apenas para escolas e universidades mas para empresas e órgãos públicos que precisam otimizar custos.

Segundo Guimarães, o custo de instalação de um laboratório de informática cai pela metade, já que são necessárias menos máquinas em rede. “O gasto com energia elétrica não chegaria a 20% do que seria gasto em um laboratório convencional, sem contar a economia com ar condicionado, que precisa estar- funcionando para refrigerar um ambiente repleto de gabinetes e pessoas trabalhando”, diz.

O Multi-Head foi desenvolvido com sistema operacional Linux e outros softwares livres. O projeto é do Centro de Computação Científica e Software Livre, que é formado por pesquisadores da UFPR.

Guimarães compara o Multi-Head ao Projeto Caderno Digital, do governo estadual, que, segundo ele, teria sido abandonado pala atual gestão estadual. O projeto consistia na entrega de um microcomputador portátil e de baixo custo (cerca de US$ 500) para alunos da rede pública de ensino.

“O objetivo daquele programa era estender a inclusão digital para pais dos alunos. Com o Multi-Head, a diferença é que o aluno não leva o computador para casa”, afirma.