Uma nova conquista científica pode levar a avanços significativos no tratamento contra o câncer e doenças infecciosas. Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Clínicas de Montreal, no Canadá, conseguiram identificar um dos mecanismos básicos que controlam o funcionamento das células NK (do inglês ?natural killer?, ou assassina natural).

Há anos que cientistas em todo o mundo tentam desenvolver métodos para aumentar a produção de células NK. Produzidas pelo sistema imunológico, tais células são responsáveis por identificar e destruir células cancerosas ou células infectadas por vírus como os que causam doenças como hepatite ou herpes. A deficiência em células NK está associada ao aumento na freqüência do câncer e infecções.

A equipe liderada por André Veillette demonstrou que uma proteína conhecida como EAT-2, presente em células NK, suprime o caráter destrutivo desta última. Segundo os cientistas canadenses, inibir a EAT-2 com medicamentos específicos pode estimular a atividade das células NK, o que ajudaria a combater o câncer e certas infecções.

Em estudos feitos com camundongos, com a eliminação da molécula EAT-2 por manipulação genética, os cientistas canadenses verificaram a produção de células NK muito mais eficientes. Segundo comunicado do Instituto de Pesquisas Clínicas de Montreal, isso abre uma porta para o uso de medicamentos que atuem junto com quimioterapia ou radioterapia para aumentar a eficácia de tratamentos contra o câncer.

A novidade será publicada na próxima edição da revista Nature Immunology, devendo sair antes no site da publicação. O artigo, que fornece evidência genética para a inibição do papel da EAT-2 em células NK, é resultado de cinco anos de pesquisas pelo grupo de Veillette.