Descobrir evidências de vida em planetas rochosos fora do sistema solar. Esta é a missão do Projeto Corot, do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), da França, que conta com a participação da Agência Espacial Européia (ESA) e de diversas instituições de pesquisa da Europa e também do Brasil. “O projeto pretende procurar planetas em torno de estrelas semelhantes ao Sol, além de estudar detalhes da estrutura estelar”, explicou Carlos Alexandre Wuensche, chefe da Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Por conta disso, um satélite dotado com um telescópio está sendo desenvolvido nos laboratórios da CNES, em Toulouse, com previsão para funcionar por três anos a partir do lançamento, marcado para 2006. O satélite terá também equipamentos para medir a variação da luz das estrelas durante longos períodos de tempo. Segundo Wuensche, a participação do Brasil no Projeto Corot (de “convection, rotation and planetary transit”) é muito importante. Duas antenas serão instaladas para captar os dados enviados pelo satélite. Uma ficará em Madri, na Espanha, e outra será montada em Natal (RN). O Projeto Corot tem como base a equação de Drake, criada pelo astrônomo norte-americano Frank Drake. Trata-se de um modelo matemático que trabalha com oito variáveis: a taxa de formação de estrelas semelhantes ao Sol; a fração de estrelas com planetas; o número de planetas por sistema; a quantidade de astros que desenvolve vida; onde pode surgir vida inteligente; em quais locais pode ocorrer comunicação; qual o tempo até a criação de uma tecnologia comunicacional; e o tempo de vida de uma civilização.