Um tribunal japonês deteve, de forma provisória, com uma sentença histórica, um projeto multimilionário do governo para construir diques em uma baía marinha da ilha de Kyushu, no sul do país. O projeto sofre resistência por parte dos tradicionais coletores de algas, que há anos protestam contra os desequilíbrios ambientais. A Corte do distrito de Saga deteve as tarefas de construção de um novo dique na baía de Ariake, por considerar que esse tipo de obra prejudicou nos últimos anos uma variedade única de alga negra e espécies de fauna. As algas “norimaki”, dissecadas e prensadas em finas folhas, têm antigo uso na culinária tradicional japonesa, especialmente em pratos de sushi. Além disso, essa alga serviu historicamente como sustento econômico dos pescadores da região. “É reconhecível, neste momento, uma clara relação de causa e efeito entre o dique e a piora da situação ambiental no mar. As escavações ficam suspensas”, diz a sentença judicial. O caráter histórico da sentença está no fato de que é a primeira vez na história do Japão que um tribunal detém obras públicas em andamento, aprovadas e levadas adiante pelo governo. A sentença foi recebida com lágrimas e emoção por mais de 100 coletores de algas. “É um grande momento para nós. Finalmente obtivemos justiça”, disse um representante dos trabalhadores. Hiroyuki Sonoda, porta-voz do governo do premiê Junichiro Koizumi, não ocultou, por sua vez, o mal-estar pela decisão judicial e adiantou que a sentença será apelada o quanto antes.