O menor veado do mundo, um sapo voador e um peixe que se gruda em pedras são apenas algumas das descobertas feitas no Himalaia, região considerada uma das mais biologicamente ricas. Na última década, estas e outras 350 espécies novas foram encontradas na região.

“Esta enorme diversidade cultural e biológica mostra a natureza frágil de um ambiente que corre o risco de ser perdido para sempre, a não ser que o impacto climático mude e seja revertido”, afirma Tariq Aziz, da Organização World Wildlife Fund (WWF), que trabalha com um programa específico para a região da Índia, Nepal e Butão.

As descobertas feitas na região entre 1998 e 2008 incluem 21 novas espécies de orquídeas, além de 16 novos anfíbios, 16 répteis, 14 peixes, dois pássaros, dois mamíferos e ao menos 60 invertebrados. Entre as descobertas está o Muntjac em miniatura, a menor espécie de veado do mundo, o Muntiacus putaoensis, que tem apenas 60 centímetros de altura e pesa aproximadamente 11 quilos.

Cientistas também descobriram a Rhacophorus suffry, uma espécie de sapos do nordeste da Índia que usa suas longas patas para pairar no ar. “É incrível observar que um grande número que novas espécies de flora e fauna são descobertos ainda hoje nos Himalaias”, afirma Deepak Bohara, ministro de conservação dos solos e florestas do Nepal.

Bittu Sahgal, editor de uma revista ambiental publicana da Índia, acredita que estudos futuros podem encontrar ainda mais espécies. “Aproximadamente três a cinco mil espécies serão descobertas se um estudo sistemático for realizado nos próximos cinco anos”, afirma Sahgal.

Apesar da enorme biodiversidade do local, observadores afirmam que a região não é imune aos efeitos das mudanças climáticas. “Embora as mudanças climáticas tenham um impacto comum em outras regiões, projetos de construções em uma região tão pequena e frágil vai piorar a situação”, afirma Anwarudin Choudhury, da Fundação Rhino, na Índia.