O estudo ?Análise do Mercado Brasileiro de Software as a Service (Software como Serviço)? realizado pelo International Data Corporation no Brasil (IDC-Brasil), encomendado pela Oracle, estima que esse ramo de negócio vai crescer no País cerca de 23,5% ao ano, atingindo US$ 667 milhões em 2009. Para o IDC-Brasil, o software como serviço deverá ter maior potencial de adoção em empresas de médio porte, que possuem até 500 funcionários.

A pesquisa foi realizada em julho deste ano, recolhendo informações de 103 gerentes e diretores de Tecnologia da Informação em grandes e médias empresas. Sob a denominação ?software como serviço? estão tanto a gestão de aplicativos como programas on demand, ou seja, aqueles em que a empresa paga apenas pelo uso da aplicação. Isso implica na terceirização do suporte e da administração dos programas.

De acordo com o estudo, 28% das empresas de médio porte já terceirizam hospedagem de parte de seus dados, o que inclui banco de dados, programas para suporte na área administrativo-financeira e para atendimento a clientes.

Segundo o gerente de pesquisas de software do IDC-Brasil, Bruno Rossi, o que faz com que soluções como o ?software como serviço? possam ter grande crescimento no País é a maturidade do mercado brasileiro de software, que proporcionalmente pode ser comparado ao de países desenvolvidos. Ele afirma também que os principais custos em Tecnologia da Informação (TI) dizem respeito a licenças em excesso, atualizações de softwares e hardwares e treinamentos e certificações de pessoal. O excesso de compra de licenças se deve, muitas vezes, à necessidade de se ter uma reserva para poder disponibilizá-las em épocas de pico de trabalho. Rossi explica que isso não ocorre no software como serviço porque as empresas pagam valores proporcionais referentes ao uso.

Custos e complexidade

Um exemplo de empresa que está começando a utilizar serviços on demand é o Grupo Abril. Ao invés de comprar licenças de software, contratar serviços de gestão e de suporte, a empresa decidiu terceirizar todo o seu sistema de gestão de relacionamento com o consumidor, contratando os serviços da Oracle. Segundo Max Thomaz, diretor de TI do grupo, com essa decisão a empresa está economizando 40% do investimento que faria se optasse pelo modelo tradicional. Outra vantagem, segundo Thomaz, foi a de canalizar a solução para um único fornecedor.

Segundo o presidente da Oracle do Brasil, Sílvio Genesini, as empresas de todo o mundo tem declarado guerra à crescente complexidade de seus sistemas de informação, que utilizam, na maioria das vezes, diferentes fornecedores para a compra de softwares, para a gestão e para o suporte de seus sistemas. ?Os gerentes dessas empresas pretendem diminuir a complexidade, tornando os seus sistemas de TI menos complicados e com menor custo em licenciamento de propriedade?, afirma.

Barreiras

Mas, há resistência para a adoção de software como serviço. Do total das empresas entrevistadas, 40% dos executivos reconheceram ter alguma resistência ao modelo. Empresas médias, de manufatura e de serviços mostraram ser mais flexíveis na adoção do modelo de licenciamento de software on demand, com índices bem menor que a média, de 28%, 24% e 29%, respectivamente.

A pesquisa do IDC-Brasil indica que o setor que impõe mais obstáculos para a adoção ao modelo de software on demand é o de comunicações. Rossi explica que isso acontece porque no Brasil empresas da área já terceirizaram grande parte do que poderiam e, além disso, tradicionalmente temem a exposição de suas informações estratégicas. Ele afirma que a exposição de informações é considerada pelos pesquisados o fator que mais traz preocupações. ?Mas é um fator cultural, na Europa, por exemplo, a resistência é bem menor?, considera.