Fruto de uma pesquisa de estudantes de Design da Universidade Federal do Paraná (UFPR) o projeto ?Tatames especiais?, destinados a pessoas portadoras de deficiências múltiplas, é um dos 40 finalistas do Prêmio Banco do Brasil de Tecnologia Social. O projeto foi desenvolvido no Pequeno Cotolengo, vem sendo aprimorado desde 2002 e foi o primeiro pedido de patente da UFPR, enviado ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. O ?Tatames especiais? vai receber certificado conferido pela Fundação Banco do Brasil, Unesco e Petrobras, integrando o Banco de Tecnologias Sociais. O resultado do prêmio será divulgado em novembro.

A idéia de construção de tatames móveis partiu do corpo técnico do Pequeno Cotolengo e dos designers Cecília Berger, Cristiane Alves dos Santos e Paulo Dias Júnior, que realizaram a pesquisa de forma voluntária. De acordo com Dias, as estruturas foram desenvolvidas a fim de que pudessem acomodar os portadores de necessidades especiais em diversas posições. ?Fica mais fácil mudá-los de posição. Eles não precisam permanecer o tempo todo em cadeiras de roda. Ficar cerca de dezesseis horas por dia na mesma posição não dá certo?.

Outra característica importante do equipamento, explica o designer, é a facilidade que se tem para movê-los, permitindo que sejam usados em ambientes externos e internos. ?Eles podem ser levados para outros ambientes, como o pátio externo do Pequeno Cotolengo?, afirma. O equipamento pode ser usado também por pessoas não-portadoras de deficiências, a fim de incentivar uma relação entre visitantes e moradores num mesmo nível de olhar.

Segundo Dias, os direitos de produção foram doados ao Pequeno Cotolengo, que deve levar os tatames para outras organizações filantrópicas do País. ?Nós não nos sentiríamos bem se explorássemos os tatames comercialmente?, diz. Dias explica que equipamentos adaptados para portadores de necessidades especiais são difíceis de encontrar, o que torna os tatames importantes para organizações como o Pequeno Cotolengo. Dias afirma que desse modo até mesmo a reabilitação pode ser facilitada.

Segundo a arquiteta que trabalha na instituição e acompanhou o projeto, Juliane Paes, os tatames são manufaturados e custam aproximadamente 900 reais cada um. Juliane afirma que se pretende levar o equipamento a outras instituições filantrópicas e a outras unidades do Pequeno Cotolengo em São Paulo, Campo Grande, Florianópolis, Brasília.