Um telescópio minúsculo, já aprovado para uso na Europa, pode ser implantado em um olho para ajudar pessoas com um grau avançado de degeneração macular. O aparelho assume o lugar das lentes naturais.

Um telescópio minúsculo, do tamanho de uma ervilha, foi implantado com sucesso nos olhos de pessoas com retinas severamente prejudicadas, ajudando-as a ler, assistir a televisão e ver melhor os rostos de familiares.

O novo aparelho é destinado a pessoas com um grau avançado e irreversível de degeneração macular em que o ponto cego desenvolve-se na visão central de ambos os olhos.

Em um breve procedimento ambulatorial, um especialista em córneas implanta o mini-telescópio em um dos olhos, no lugar de suas lentes naturais. O telescópio aumenta as imagens na retina, estendendo-as para que caiam nas células saudáveis fora da mácula danificada, disse Allen W. Hill, criador dos implantes e chefe executivo da VisionCare Ophthalmic Technologies em Saratoga, Califórnia, EUA.

Em março, um painel informativo para a Food and Drug Administration recomendou unanimemente a aprovação do aparelho para uso e comercialização nos EUA. A VisionCare espera que o FDA aprove até o fim deste ano. O aparelho já está liberado para uso na Europa.

O aparelho não cura doenças, mas ajuda a melhorar a acuidade visual. Por exemplo, uma pessoa que normalmente enxergaria apenas um borrão ao ver o rosto de um amigo pode, com a ajuda da imagem ampliada, ver um borrão apenas na região do nariz ou da boca desse amigo.

“As pessoas podem usar o aparelho para reconhecer rostos em um ambiente social,” afirma Janet P. Szlyk, membro do painel informativo e diretora executiva de uma agência de serviços sociais para cegos em Chicago, EUA.

O telescópio é implantado em um olho para tarefas como leitura ou reconhecimento facial. O outro olho, inalterado, é usado para visão periférica durante outras atividades como caminhar. Depois da implantação, terapia extensiva é crucial para aprender a lidar com as diferentes capacidades dos olhos.

Henry L. Hudson, um especialista em retinas de Tucson, Arizona, EUA, e autor principal de dois trabalhos sobre o telescópio já publicados, diz que o aparelho não é para qualquer paciente com degeneração macular. “Talvez apenas 20 de cada 100 candidatos vá receber o telescópio.” E ele completa que os candidatos “podem não ser elegíveis pelo formato dos olhos, ou ter outro problema, como falta de equilíbrio, que impede sua seleção.”

O preço do aparelho ainda não foi definido, mas espera-se que seja uma despesa coberta pelos planos de saúde dos EUA.