Foto: Arquivo/O Estado
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Cérebro de idoso com Alzheimer.

A doença de Alzheimer é uma desordem cerebral progressiva e irreversível. Os sintomas clássicos são a perda de memória, confusão, capacidade de julgamento perturbada, alteração da personalidade, desorientação e perda das habilidades da fala. Com o avanço da doença, no âmbito familiar é penosa a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de reconhecimento mesmo dos parentes mais próximos. É a forma mais comum de demência irreversível e é sempre fatal. As estatísticas apontam que somente nos Estados Unidos cerca de 4,5 milhões de pessoas padecem deste mal.

O levantamento de imagens acusa modificações morfológicas profundas do tecido cerebral tais como alargamento dos ventrículos e sulcos e duas são mais marcantes a nível mais microscópico: o acúmulo de placas amilóides entre as células neuronais e o aparecimento de emaranhados neurofibrilares.

Amilóide genericamente designa fragmentos protêicos removidos de uma proteína precursora (APP). Num cérebro normal, estes fragmentos são degradados e eliminados. Num cérebro afetado pela doença de Alzheimer, estes fragmentos acumulam na forma de placas nos espaços entre neurônios. Os emaranhados neurofibrilares são estruturas anômalas que passam a ser encontradas dentro das células nervosas. São aberrações moleculares, decorrentes de hiperfosforilação, da proteína tau que é responsável pela estrutura dos microtúbulos. Estes se prestam ao transporte intracelular de nutrientes e outras substâncias. Na doença de Alzheimer há um colapso da proteína tau que então gera os emaranhados.

A partir do diagnóstico da doença, em média o óbito ocorre entre 4 e 8 anos, mas a degeneração progressiva do cérebro pode se alargar até 20 anos. A enfermidade afeta duas vezes mais as mulheres do que os homens. Na variante em que a doença é decorrência genética familiar (hereditariedade), o aparecimento  pode se antecipar para a faixa dos 40 anos de idade. O único diagnóstico acurado da doença é o exame post mortem do cérebro do paciente. Nos Estados Unidos, o custo do atendimento e tratamento de um paciente Alzheimer está estimado entre US$ 18 mil e US$ 36 mil / ano, dependendo do estágio da doença. Cinco alterações de genes estão correlacionadas com a doença de Alzheimer. Alterações de três deles são mais características da variante da doença que se manifesta mais cedo e os outros dois na doença de velhice (acima de 60 65 anos). Os genes mais bem caracterizados são PS1 (ou AD3) no cromossomo 14 e PS2 (ou AD4) no cromossomo 1. Há indícios de que os fatores de risco cardiovascular (hipertensão arterial), excesso de metabolismo oxidativo (radicais livres?), inflamações e diabetes do tipo II (senil) podem estar implicados no disparo da doença de Alzheimer, mas não existem pesquisas conclusivas. O que recentemente se encontrou é que altos níveis plasmáticos do aminoácido homocisteína (um derivado do aminoácido sulfurado natural metionina) estão correlacionados com a doença.

Atualmente inexiste tratamento que proporcione a cura da doença de Alzheimer. Há medicamentação para controlar os sintomas e, em alguns casos, impedir seu progresso. O FDA (Food and Drug Administration), nos USA, aprovou 5 drogas para o alívio de sintomas e impedimento do progressividade: Cognex (tacrine), Aricept (donepezil), Axelon (rivastigmine) e Razadyne (galantamine), cujo mecanismo de ação é diminuir a taxa de degradação de acetilcolina, um neurotransimissor de importância na comunicação entre os neurônios. Outro medicamento aprovado é Namenda (nemantidine); trata-se um antagonista para receptores ionotrópico do tipo NMDA (N-Metil-D-Aspartato), protegendo o cérebro do excesso do neurotransmissor glutamato, que é liberado em quantidades anormais no caso da doença. Drogas para o controle de depressão, ansiedade e sintomas psicóticos são de algum auxílio no estágio inicial da doença. A administração de vitamina E (tocoferol) é bastante controversa mesmo porque há risco de sangramento em algumas pessoas.

A exemplo do que acontece na doença de Parkinson, a tomografia de emissão de pósitron (PET) é de utilidade do levantamento de imagens de pacientes acometidos de doença de Alzheimer.

Nota: Não recorra à automedicação. Consulte um médico.

José Domingos Fontana (jfontana@ufpr.br)  é professor emérito na UFPR junto ao Depto. de Farmácia, pesquisador do CNPq e prêmio paranaense em C&T.