Criar vasos capilares para qualquer parte do corpo a partir de células-tronco do cordão umbilical parece não ser uma realidade muito distante para pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Desta forma, os efeitos de algumas doenças isquêmicas, como a diabetes, por exemplo – que causa sérios danos a alguns vasos do corpo, tornando possível até mesmo a amputação de um membro -seriam bastante amenizados. No momento, os testes estão em fase de experimentação em ratos, mas podem ser efetivamente utilizados em humanos no futuro, caso o Ministério da Saúde autorize.

O coordenador da pesquisa, professor Paulo Brofman, explica que as células progenitoras endoteliais foram isoladas, mas, como são bastante reduzidas, criou-se uma maneira de multiplicá-las em até 70 vezes. “Para ser didático, criamos uma fórmula de bolo para multiplicá-las, pela primeira vez.” Depois de multiplicadas, elas são transformadas em células endoteliais, que são aquelas que formam os vasos capilares. E os testes em ratos já apontam para resultados positivos. “Testamos esses vasos no coração de ratos e notamos que a função do órgão dos animais melhorou muito”, comemora. Em um grupo de ratos foram aplicadas apenas as células progenitoras, e, no outro, as células endoteliais. O grupo que recebeu as endoteliais apresentou melhor resultado.

O processo para dar origem aos vasos em laboratório levou apenas 24 horas. Porém, o estudo todo levou quatro anos para ser desenvolvido. A pesquisa da PUCPR já foi premiada este ano pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular como o melhor trabalho do ano. Brofman lembra ainda que os vasos poderão ser utilizados em humanos, mas somente depois dos trâmites exigidos pelo Ministério da Saúde. “A pesquisa abre boas perspectivas. Fizemos o experimento no coração dos ratos, mas ela poderá ser esperança para pessoas com doenças isquêmicas”, diz o professor.