Uma solução para quem não sabe que presente de casamento escolher está ganhando cada vez mais adeptos em agências de viagens: a abertura de listas para pagar a lua-de-mel dos noivos.

“Padrinhos, parentes ou convidados podem entrar com determinada cota na lista, evitando correrias e longas pesquisas em lojas à procura do presente ideal.

É uma boa solução, especialmente em maio, o mês das noivas, quando os convites para casamentos costumam aumentar”, afirma o consultor Marcio Moreno, diretor de Planejamento da Traveland Viagens e Turismo.

Essa nova forma de presentear os noivos já representa boa parte do faturamento de algumas agências de turismo, um meio fácil de transformar em realidade a tão sonhada lua-de-mel dos noivos. “Um casal queria fazer uma viagem ao Chile, mas a adesão à lista foi tão grande que eles conseguiram conhecer em grande estilo o paraíso chamado África do Sul”, conta o consultor.

Uma recente pesquisa feita pela empresa identificou o perfil dos casais que procuram esse tipo de serviço. “Eles têm, em média, entre 27 e 32 anos, sendo a maioria da classe média de São Paulo”, diz Moreno. Outro dado obtido com a pesquisa: os casais optam pela lista por já terem a casa montada. “Hoje, muitos jovens passam a morar sozinhos antes de se casar e, quando resolvem contrair um matrimônio, não é preciso ganhar jogos de panelas, por exemplo”, explica o consultor.

Neste ano, 70% dos casais que procuraram a Traveland desejavam montar a “lista de casamento”. O sistema possibilita a escolha de uma faixa de valor para contribuição. Até dez dias antes do casamento os noivos contabilizam o valor arrecadado e fecham o roteiro. Os locais mais pedidos no Brasil são Fernando de Noronha, com sua paradisíaca paisagem; Pernambuco, por causa de suas praias com piscinas naturais e altas temperaturas; e Natal, devido à beleza de suas praias. Nas viagens de lua-de-mel internacionais, o destino predileto dos casais é o Taiti, que conta com grande estrutura hoteleira e locais magníficos.

Experiência no Paraná

No Paraná, algumas agências já venderam pacotes de viagem para recém-casados a partir do sistema de lista de lua-de-mel. A diretora de Convênios da Abav-PR (Associação das Agências de Viagem – Seção Paraná), Josanne Savas, da agência Trípoli, considera que a lista é uma idéia muito interessante tanto para os noivos quanto para as agências. “É muito bom, principalmente para o casal que já tem casa montada porque mora junto há algum tempo e, por isso, não precisa ganhar de presente utensílios domésticos”, comenta. “Para as agências é ótimo também porque é um trabalho simples, que não foge do nosso cotidiano”, complementa.

Na Trípoli, uma das agência que oferecem este serviço em Curitiba, os noivos escolhem o pacote e os convidados compram cotas da viagem. Diferentemente de como é feito em São Paulo, o valor da cota não é predeterminado pelos noivos, portanto, o convidado paga a quantia que quiser. “É mais um nicho de mercado e ainda uma forma de divulgar a agência entre os convidados da festa”, observa Josanne.

Criatividade

A divulgação da agência também foi um dos benefícios levados em conta por Gustavo Décio Leite de Macedo, da GLM Turismo, quando prestou o serviço a um casal que pretendia viajar para Fernando de Noronha em lua-de-mel. Um anexo ao convite de casamento avisava sobre a existência da lista na GLM, uma sugestão para amigos e parentes presentearem os noivos, que já moravam juntos há algum tempo e não precisavam de presentes convencionais. “Dessa maneira, tive o nome da agência divulgado em cem convites”, comenta o agente.

Para estipular a cota, dando opções de valores aos convidados do casamento, a agência usou a criatividade. Cada cota correspondia a uma pedra preciosa e um valor – jade, R$ 50; rubi, R$ 100; esmeralda, R$ 150 e diamante, R$ 200. “Cerca de 90% das pessoas que foram ao casamento contribuíram para a lua-de-mel, pagando quase o valor total da viagem”, conta Gustavo.

O agente acredita que a venda de pacotes de viagem por meio de listas de lua-de-mel é um nicho interessante que tende a crescer. Porém, ressalva, é um serviço que depende muito da confiança do cliente no seu agente de viagens, já que o processo de venda não é acompanhado de perto pelo cliente. “É preciso haver confiança e o agente, no final, deve prestar contas ao cliente sobre o valor total pago e quem foram as pessoas que contribuíram”, afirma Gustavo. Além disso, a agência entrega aos noivos um cartão com mensagens e assinaturas dos convidados que compraram cotas na agência. (Danielle de Sisti)