Conhecer Camocim é viver uma emoção diferente. A cidade, no litoral oeste do Ceará, transmite um clima de bucolismo e sedução, com ruas antigas, hábitos peculiares e uma paisagem que elimina as tensões.

Seus habitantes vivem da pesca e têm o Rio Coreaú como ponto de partida e chegada das embarcações. Eles utilizam canoas com velas coloridas que, quando ancoradas, formam um quadro vivo embalado pelas águas em movimento.

O Rio Coreaú separa a cidade da Ilha do Amor, nomes que tiveram origem a partir de uma lenda que descreve as paixões alucinantes de uma índia da nação Tapuia e um branco que aportou na região no tempo da ocupação holandesa em Pernambuco.

Natira e Jacob venceram os inimigos e foram felizes na “ilha” que, na realidade, é um pedaço do continente formado por dunas, mangues e lagoas. De lá para cá muita coisa mudou, mas a paisagem continua sedutora em Camocim, cidade que está conquistando investimentos internacionais e se revelando como um novo destino turístico do Ceará.

Camocim: de cidade centenária com passado de glória a promissora destinação turística.

Situada na Costa do Sol Poente, a 370 quilômetros de Fortaleza, Camocim está inserida na Rota das Emoções, programa de incentivo ao turismo desenvolvido pelos governos dos Estados do Ceará, Piauí e Maranhão. A rota abrange Jericoacoara e Camocim (CE), Delta do Parnaíba (PI) e Lençóis Maranhenses (MA).

Passado de glória e futuro promissor

Camocim é uma cidade centenária, com marcas de um passado de glória, quando a região se movimentava através do porto e da estrada de ferro. Foi uma época marcante para a economia do município, que também evoluiu na pesca. Seus arredores sugerem contrastes da natureza com características da Amazônia, numa área pequena e acessível.

Canoas com suas velas coloridas no Rio Coreaú anunciam a partida e chegada dos pescadores.

Sem as atividades que influenciaram na economia do município no início do século passado, Camocim vive um novo tempo, com as belezas naturais que podem fazer dele destinação turística nos próximos anos.

A cidade de Camocim, contornada pelo Rio Coreaú até sua foz, tem no entorno uma paisagem única de dunas, mar, lagoas, rio e falésias. São pontos de motivação para os visitantes as praias de Tatajuba e Jericoacoara (CE), os parques nacionais de Ubajara (CE) e Sete Cidades (PI) e as maravilhas da natureza formadas pelo Delta do Parnaíba (PI) e a Ilha do Caju (MA).

Dentro do município são atrativos os passeios de barcos no Rio Coreaú, a romântica Ilha do Amor, as praias de Maceió e Barra dos Remédios, eleita em concurso nacional como a quinta praia deserta mais bela do Brasil.

Na área urbana, os pontos turísticos são a biblioteca, a Praça Pinto Martins (camocinense que dá nome ao aeroporto de Fortaleza), a Igreja Matriz e a Estação Ferroviária. A população é de 60 mil habitantes e a cultura local se manifesta nas danças, nos festivais de músicas e gastronomia e nas festas religiosas.

Reserve um dia para Tatajuba

Passeios de bugue mostram aos turistas a paisagem f,ormada por lagos, dunas e rio na Rota das Emoções.

O dia começa cedo em Camocim, com o sol brilhando nas águas do Rio Coreaú. Muitos pescadores já estão no mar e dezenas de embarcações tremulam nas águas do rio num vaivém constante de “personagens” de um cenário que virou cartão-postal da cidade.

As belezas começam no encontro do rio com o mar e se dividem em duas direções: no calçadão em forma de passarela contornando o rio e na “Ilha do Amor”, um pedaço de continente que fica do outro lado.

O nome romântico é um chamamento para se fazer a travessia e descobrir um verdadeiro tesouro de dunas embaladas pelo vento e “brincando” com uma paisagem de sonhos.

Nesta época do ano abrem-se pequenas lagoas alimentadas pelas chuvas e contornadas por mangues e pelas areias errantes que insistem em mudar de lugar e oferecer uma paisagem para cada dia.

A Ilha do Amor é, na realidade, um pedaço do continente com dunas, mangues e lagoas.

Na cidade, os visitantes se movimentam para fazer os passeios. Há os que preferem o lado oeste, passando pelas praias de Maceió, Xavier e Barra dos Remédios, esta última totalmente deserta e sem estrutura de apoio ao turismo. Para o outro lado, os caminhos se abrem até Jericoacoara, num percurso emocionante de 54 quilômetros pelo litoral.

Tatajuba

A sugestão é um dia em Tatajuba, paraíso do município de Camocim que começa a ser descoberto pelos brasileiros, mas já fascina os estrangeiros para pequenos investimentos. A comunidade tinha como proposta a preservação da natureza e a exploração do turismo só pelos nativos, mas estes conceitos estão mudando.

Alheio às questões ambientais, o turista se diverte na Barraca do Didi, instalada sobre o Lago da Torta, que se estende numa extensão de 20 quilômetros. A barraca tem como diferencial redes de nylon armadas dentro d’água. A sensação é única, própria para um relax inesquecível.

A cozinha é especializada em grelhados e o turista pode escolher o peixe para um saboroso almoço. A sobremesa é cocada vendida por nativos. Para beber, há uma variedade de batidas de frutas. Você pode dispensar o álcool e tomar um suco com sabores variados: maracujá, acerola, abacaxi e limão. Uma mistura fantástica.

A Barraca do Didi sobre o Lago da Torta, é ponto-de-encontro de turistas.

Tatajuba tem uma longa história de soterramento pelas dunas, de lendas e de sua reconstrução. A paisagem mais atraente é na duna do funil, onde nativos aguardam os visitantes para a prática do “esquibunda” numa descida íngreme até uma lagoa de águas verdejantes que se forma no fundo do funil. A descida é emocionante, mas a subida é quase impossível e as pessoas são “rebocadas” pelos garotos que oferecem a aventura.

De Camocim até Tatajuba são 18 quilômetros. O percurso, feito em veículo 4×4, começa com a travessia de balsa no Rio Coreaú. Do outro lado, a primeira descoberta é a “Ilha do Amor” e uma rota de emoções por trilhas ou contornando o mar.