Joel Duarte: ?Volta
ao nível do fim da
âncora cambial de 99?.

Nem o tempo instável na região Sul nem a crise política. Nada parece interferir no otimismo que toma conta do trade turístico em relação à próxima temporada de verão. O setor só está esperando o término da Feira das Américas, evento promovido pela Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), no fim do mês, no Rio de Janeiro, para dar início ao que  acredita que será a melhor das últimas seis temporadas.

O evento será, mais uma vez, uma vitrine de pacotes, produtos e serviços aos agentes de viagens que passarem por lá. Por isso, logo após o evento, é o melhor momento para quem quer comprar um pacote para viajar no verão: produtos novos nas prateleiras e a chance de pagar mais barato, se fechar o negócio antecipadamente.

O otimismo invade o setor por conta do cenário econômico favorável: dólar em baixa, inflação estável, risco de terrorismo mais distante. ?Estamos extremamente propensos a afirmar que haverá um boom de vendas de pacotes de viagem nesta temporada?, arrisca-se Joel Duarte, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem no Paraná (Abav-PR).

Com a previsão de especialistas que acreditam que a cotação do dólar deva ficar no patamar de R$ 2,25, Joel acredita em uma bela retomada da venda de pacotes internacionais e o reposicionamento da Europa e dos Estados Unidos como os mais procurados pelos brasileiros. ?Realmente vamos voltar aos níveis do fim da âncora cambial vivida em janeiro de 1999?, comenta.

Guilherme Paulus:
?Resorts e cruzeiros
serão os prediletos?.

O aquecimento das viagens internacionais já está sendo sentido este ano. A CVC, por exemplo, que é a maior operadora de turismo do País, embarcou para a Europa 150 mil brasileiros, somente de abril a setembro. Este número é 40% maior que o registrado no ano passado. A França foi, novamente, o destino mais procurado, seguido da Espanha e Portugal.

Para o presidente da Abav-PR, esse interesse maior pelo turismo internacional vai refletir em uma queda no turismo interno. ?Pelo fato de o dólar estar em baixa, muitas pessoas vão comparar os preços e preferir viajar para o exterior?, prevê. Porém, Joel Duarte acredita que parte dessa ?perda? será suprida pela presença mais expressiva de estrangeiros no País. ?O produto Brasil vai ser consumido por estrangeiros porque continua sendo um destino extremamente atraente, principalmente para o europeu do sul – portugueses e espanhóis?, observa. ?O número de charters tem batido recordes – na temporada 2004/2005 foi 180% maior que na anterior e a tendência é que continue crescendo?, complementa.

Para Guilherme Paulus, os resorts, principalmente os da Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, serão as vedetes do turismo interno, seguidos dos cruzeiros e de alguns destinos da região Sul, como as Cataratas, em Foz do Iguaçu, e a Serra Gaúcha.

A partir deste mês, a CVC começa a operar vôos charters semanais para Foz do Iguaçu. ?A expectativa é embarcar setecentos passageiros por semana para Foz, oriundos principalmente de São Paulo, capital e interior?, diz Guilherme Paulus, que recebeu, na semana passada, o título de cidadão honorário de Foz do Iguaçu. A perspectiva da CVC para este ano é trazer para o Paraná 45 mil turistas, dos quais trinta mil para Foz do Iguaçu. Ano passado foram 38 mil para todo o Estado e 22 mil para a Terra das Cataratas.

Cruzeiros se consolidam como um grande produto

O navio Mistral é a mais
nova aposta da CVC, que dobra
a oferta em cruzeiros para
a temporada 2005/2006.

Com a moeda norte-americana em baixa os cruzeiros se popularizam e despontam como o grande produto turístico da temporada. Nove navios vão chegar à costa brasileira a partir de novembro, onde vão percorrer roteiros variados, incluindo os litorais catarinense, paulista, fluminense e nordestino, além de Argentina e Uruguai.

?Alguns desses navios já estão com 70% das cabines comercializadas?, comenta Joel Duarte, presidente da Abav-PR. ?Um cruzeiro de sete dias de Santos até Salvador está custando US$ 500 por pessoa com pensão completa, que pode ser pago em até cinco vezes sem juros, quer dizer, a queda do câmbio está proporcionando que mais pessoas possam comprar pacotes de cruzeiros?, comenta.

Para Guilherme Paulus, presidente da CVC, os preços das viagens de navio já sofreram uma redução. ?Este ano, os pacotes estão de 10% a 15% mais baratos que no ano passado?, informa. Para a próxima temporada, os preços vão variar entre US$ 180 (minicruzeiros de três dias e duas noites) e USS 1,2 mil (cruzeiros de uma semana para Punta del Este, no Uruguai, ou Nordeste).

Apostando que os cruzeiros realmente caíram no gosto dos brasileiros, a CVC dobrou a oferta para o verão 2005/2006, aumentando de 23 mil para 49 mil a capacidade de passageiros em navios fretados durante a alta temporada, de dezembro a março, o que representa um aumento de 113%.

Desta vez, serão três navios – o Blue Dream, o primeiro a operar aqui, em 2002; o Pacific, que começou a operar este ano no Brasil, e a novidade, o Mistral, um navio com capacidade para 1,6 mil passageiros, que fará cruzeiros pelos litorais fluminense e paulista, Bahia e Santa Catarina. ?Os cruzeiros são uma tendência mundial, é só ver a grande oferta de navios no mundo todo. Aqui no Brasil, com a falta de boas rodovias, o turismo marítimo tem sido uma ótima opção?, considera Paulus.

Além da estrutura dos navios, a operadora vai investir em shows diferenciados para animar a estada dos passageiros. Já está confirmado um show com o cantor Fábio Júnior no navio Mistral e a apresentação de uma peça teatral protagonizada pela atriz Regina Duarte no navio Blue Dream, em janeiro. Além disso, está em negociação um show da cantora Ivete Sangalo também para o Blue Dream. (DS)