v41.jpgUma terra de muitos contrastes, de fascínio e de uma natureza que alucina. Santa Catarina é assim. Um caminho sem fim de descobertas que unem praias paradisíacas e uma serra muito florida no verão e cheia de charme no inverno. A Expedição Horizontes Catarinenses propõe desvendar Santa Catarina, do litoral a Serra Geral, de uma forma diferente. No roteiro, muitas surpresas e, para muitos, novas experiências como avistar cavernas e cânions, além de parques e praias que proporcionam a prática de atividades radicais como rafting, pêndulo humano, surfe na areia e espeleologia.

O diferencial desta expedição, que pode ser feita em cinco ou oito dias, já começa pelo transporte, no mínimo inusitado: um caminhão. Porém, não se trata de um caminhão comum. A engenhosidade dos irmãos Alessandro e Glaucio Schwonka, sócios na empresa, levou à execução de um projeto único: a criação de uma nova carroceria para um Mercedes 710, um verdadeiro transporte do tipo "topa-tudo".

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Cachoeira nas terras da família Tabarelli: cinqüenta metros de queda, no fundo de um vale coberto pela Mata Atlântica.

A expedição

A viagem-aventura tem início em Florianópolis com destino a Botuverá, no Vale do Itajaí, a entrada do "vale europeu". Colonizada por italianos e exploradores que buscavam nessas terras o ouro, Botuverá é famosa por suas cavernas, das maiores do Sul do País. De Botuverá, o grupo parte em busca das cachoeiras de Presidente Getúlio, subindo o vale e, já na manhã seguinte, seguimos para as terras da família Tabarelli, onde está uma das maiores cachoeiras do município. São quase cinqüenta metros de queda, vertical, no fundo de um vale coberto com Mata Atlântica. Lá está também a Cachoeira do Cará. De volta à sede da propriedade, é hora de um almoço típico da cozinha italiana em companhia da família Tabarelli.

Rafting e trilhas

Todo o Vale do Itajaí é repleto de lugares incrivelmente belos e que convidam à prática de caminhadas em meio à Mata Atlântica, banhos de rio ou atividades radicais, como o rafting. Descemos às margens do Rio Itajaí, em Ibirama, para uma aventura descendo sete quilômetros de corredeiras no Itajaí-Açu, um dos melhores rios do País para a prática do rafting. Capacete, colete salva-vidas, adrenalina à flor da pele. A recompensa, além da aventura, é a visão inesquecível de passar por gargantas, corredeiras, águas calmas, margens cobertas por Mata Atlântica e inevitáveis banhos.

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Pêndulo humano: 35 metros de queda livre, muita adrenalina
e a sensação de liberdade.

Pêndulo humano

Café da manhã tomado, malas prontas. Subimos no caminhão e vamos atrás de um pouco mais de adrenalina na não menos atraente Rio do Sul. Na cidade de pouco mais de cinqüenta mil habitantes o desenvolvimento e a qualidade de vida são evidentes, assim como a consciência na preservação do meio ambiente. As inúmeras nascentes que brotam na cadeia de montanhas do alto vale formam rios que despencam pelos penhascos e correm pelos cânions, atraindo a curiosidade e atenção dos visitantes e aguçando a visão empresarial do povo da região. É o que aconteceu, por exemplo, com Rubens Cezar Fronza e Werner Harbs. Rubens, com vontade de criar algo diferente, acabou bolando um esporte radical inédito no País: o pêndulo humano. Trata-se de um cabo de aço e uma corda. A loucura começa do alto de uma plataforma colocada sobre a Cachoeira da Magia. Uma queda livre de cerca de 35 metros e um suave balanço rumo ao céu colocam a adrenalina à flor da pele e a liberdade exalando pelos poros.

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Trilha leva ao alto do Morro de Naufragados, de onde se avista uma pequena praia praticamente deserta.

Werner Harbs é outro exemplo de adaptação aos novos tempos. Hoje ele e sua família abriram sua casa para os visitantes e servem uma deliciosa comida caseira com o requinte da culinária alemã. O Bar Germânico deve ser parada obrigatória, nem que seja apenas para saborear o delicioso pastel da dona Elvira.

Caminhadas na serra

Neste ponto da viagem, o rumo é serra acima. Estamos chegando a uma outra identidade da Bela e Santa Catarina, a caminho de Urubici, na Serra Geral.

Urubici descobriu sua vocação para o turismo na esteira da neve que todos os anos cai e leva a São Joaquim inúmeros turistas. Sem menosprezar sua vizinha famosa, Urubici guarda para si um dos mais belos cartões postais do estado: a "pedra furada", uma formação rochosa no alto da serra, à beira do cânion, com um enorme buraco no centro. O município tem também em seu território o ponto mais alto habitável do Sul do Brasil, o Morro da Igreja, com 1.827 metros.

No dia seguinte, levantamos cedo para o chimarrão e depois descemos a Serra do Corvo Branco, por uma estrada em zigue-zague. Mirantes magníficos ao longo da estrada descortinam paisagens pouco comuns e uma vegetação de um intenso verde, ao longo de todo o vale. Rumo ao sul, chegamos a Laguna, a terra de Anita Garibaldi e de inúmeras histórias a serem contadas. Ela foi a terceira cidade catarinense a ser fundada e uma visita ao seu centro histórico traz à memória a Guerra dos Farrapos e a República Juliana. Nossa passagem por esta cidade de mil encantos é rápida, porém, proveitosa.

Cinco ou oito dias?

Em Laguna, quem optou por uma expedição de cinco dias se despede. Agora, no verão, a Expedição Horizontes Catarinenses prossegue litoral acima e a primeira parada é a Praia do Rosa. Já mundialmente conhecida por receber a visita das baleias Franca, que chegam para reproduzir e amamentar seus filhotes entre os meses de julho e novembro e também por suas ondas propícias para a prática do surfe, a Praia do Rosa é um caso de amor à primeira vista.

Não bastasse o Rosa, as opções em Garopaba para o ecoturismo e aventuras se multiplicam. Rapel, canioning, caminhadas, surfe, windsurf, mergulho e surfe de areia em dunas que chegam a quarenta metros de altura, além, é claro, da observação das baleias.

Depois disso, embarcamos de volta a Florianópolis, onde dormimos em uma excelente pousada em Ribeirão da Ilha. Lá, para qualquer lugar que se olhe multiplicam-se as riquezas naturais, belas lagoas, morros, mangues, dunas, ilhas, paisagens, aromas e cores. Depois partimos com destino a Caieira da Barra do Sul, a última comunidade de pescadores ao sul da baía sul de Florianópolis. Uma caminhada por uma trilha em meio à mata nos levou ao alto do Morro de Naufragados. A visão é magnífica: uma pequena praia de areia branca e praticamente deserta nos reporta à história de ocupação da Ilha de Santa Catarina. Em Ribeirão da Ilha, uma outra curiosidade: o Museu Açoriano, nas próprias instalações da pousada, conta a história da ocupação do território e de toda a cultura trazida dos Açores. No dia seguinte, nos despedimos de Florianópolis e da Expedição Horizontes Catarinenses, com um belo passeio por lugares paradisíacos e com uma grande festa na pousada. Deixamos para trás nossas pegadas, levamos na bagagem muitos amigos, muitas imagens gravadas e a sensação de que muito em breve estaremos de volta.

Serviço – A Terral Expedições promove essa aventura durante todo o ano. Os preços por pessoa variam a partir de R$ 950. A sede da Terral fica na Rua Mateus Leme, 5021, em Curitiba (PR). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 352-1219 ou no site www.terral.tur.br.