Buraco do Padre, um dos mais belos
atrativos dos Campos Gerais.

Surpresa. Esta é a palavra mais apropriada para descrever o que o turista sente ao visitar alguns recantos naturais dos Campos Gerais, mais precisamente dentro do município de Ponta Grossa. É difícil imaginar que tão próximo de Curitiba – apenas 117 quilômetros – podem ser encontrados verdadeiros santuários da natureza, escondidos em meio à exuberante Mata Atlântica. Aliás, o fato de estarem emoldurados e protegidos por mais natureza é que faz esses lugares serem tão especiais e surpreendentes e o passeio parecer uma aventura.

Se hoje, com uma certa divulgação, esses locais causam tamanha surpresa e entusiasmo, o que dizer dos criadores e comerciantes de gado que, no século XIX, já cruzavam aqueles campos, na tradicional rota chamada de “Caminho do Viamão”?

Com certeza, ficaram perplexos diante de tanta beleza. Cachoeiras, rios de água límpida, mata, capões, cannyon, alagados, furnas e grutas, tudo rodeado de campos cheios de flores, formam o cenário do segundo planalto paranaense. Basta uma visita para constatar que a beleza do município de Ponta Grossa vai muito além do famoso Parque Estadual de Vila Velha, não desmerecendo o cenário da Cidade de Pedras e da Lagoa Dourada, pontos curiosos e de extrema beleza desse importante ponto turístico do Sul do Brasil.

Um passeio por atrativos naturais, como o Buraco do Padre, a Cachoeira da Mariquinha e o Cannyon do Rio São Jorge, pode ser uma interessante aventura para adultos e crianças, pois o acesso até eles é por meio de trilhas desenhadas no meio da mata e é preciso vencer alguns obstáculos, como pedras escorregadias, mato alto, solo irregular e calor escaldante.

A caminhada pelos caminhos íngremes já vale a pena pela diversão. Mas o melhor está mesmo no final de cada aventura, quando o barulho das águas fica mais alto e o turista se obriga a levantar o olhar, até então muito preso ao chão para evitar os inevitáveis tombos, e olhar a maravilha à sua frente.

A rota da aventura

As belezas naturais de Ponta Grossa estão em propriedades particulares e se concentram no distrito de Itaiacoca, região leste de Ponta Grossa. Para chegar a esses locais, saindo do centro da cidade, o turista deve seguir pela Avenida Carlos Cavalcanti que, mais adiante, se transforma na PR-513 (Rodovia do Talco). Recentemente recuperada e alargada para facilitar o acesso do turista, essa via tem estradas secundárias de pó, mas em boas condições, que levam até os pontos de visitação. O primeiro deles é o Capão da Onça, um balneário natural com cachoeiras, corredeiras e piscinas naturais, distante dezesseis quilômetros do centro da cidade.

O próximo ponto, a furna Buraco do Padre, está a 26 quilômetros a leste do centro da cidade. Esse atrativo, que ganhou esse nome dos caboclos e tropeiros que por ali passavam porque era refúgio espiritual de jesuítas, é, sem dúvida, um dos mais impressionantes da região. A fama da exuberante beleza do lugar não é suficiente para preparar o visitante quanto ao que ele vai ver. Um dos mais belos atrativos naturais dos Campos Gerais é uma espécie de gruta que guarda uma imponente cachoeira e uma piscina natural. A grande sensação, no entanto, é o ar de mistério que ronda a aventura dentro de uma furna estreita e com pouca luminosidade natural.

O turista não tem idéia do que vem pela frente e, de repente, se depara com um paredão por onde jorram águas claras e frescas. No alto dela, uma fresta larga que, curiosamente, lembra o desenho do mapa do Paraná invertido (como se o litoral estivesse à esquerda e não à direita). Por ela, entra a luz natural que ilumina o local, deixando-o ainda mais bonito. No chão, uma piscina natural chama para um mergulho. O local é de deixar qualquer um boquiaberto. Uma das vantagens é que este passeio pode ser um programa de família num dia de sol, pois a trilha, de cerca de um quilômetro, é de fácil acesso, podendo ser percorrida também por crianças a partir dos oito anos. E elas adoram, prova disso é que muitas escolas já estão fazendo incursões ao local.

Cachoeira da Mariquinha

Um pouco mais adiante, a leste, está a Cachoeira da Mariquinha, uma queda de cerca de trinta metros que também forma piscinas naturais no meio da mata. Só que, ao contrato da cachoeira do Buraco do Padre, está situada em um local aberto e claro e a trilha é um pouco mais difícil e mais longa. A contemplação não termina quando se chega à grande queda d?água, que cai sobre um banco de areia. Por isso, depois de um refrescante mergulho e um tempo curtindo o local e contemplando os peixinhos que nadam naquela água cristalina, a dica é pegar uma segunda trilha de retorno, o que permite avistar a cachoeira do alto.

Outro programa imperdível para as pessoas que apreciam a prática do turismo em meio à natureza é o Cannyon do Rio São Jorge, a quinze quilômetros ao norte do centro de Ponta Grossa. Um vasto campo verde é cortado por um curso d?água, que desliza entre rochas, formando pequenas cachoeiras que desembocam em uma grande queda. Praticamente todo o percurso da trilha tem água, o que permite ao turista se refrescar em diversos pontos até chegar ao final: uma linda cachoeira rodeada por mata fechada. Esse conjunto de cachoeiras guarda segredos e lendas. Conta-se, por exemplo, que nele está escondido o tesouro dos jesuítas que habitavam a Fazenda Pitangui, situada naquela região. Não se recomenda levar crianças ou pessoas com maior dificuldade de locomoção, pelo menos, no ponto final da trilha pois, quanto mais se chega perto da última cachoeira, mais difícil é o acesso.

A beleza natural, assim como as lendas e histórias, atraem turistas de diversas partes do País ao local, que oferece área para camping, além de restaurante e sanitários. A diária no acampamento custa R$ 6 por pessoa, já para quem quiser somente passar o dia, o preço é R$ 2,50. Nos fins de semana é servido almoço por quilo, que varia de R$ 5 a R$ 9, dependendo da variedade dos pratos.

Capela

Um misto de interesse aos atrativos naturais e históricos atrai turistas também à Capela Santa Bárbara do Pitangui, localizada a apenas dois quilômetros do Cannyon do Rio São Jorge, no antigo e extinto Caminho do Peabiru. A primeira capela dos Campos Gerais, construída em 1727, está sendo restaurada, tendo preservadas suas características originais – sua estrutura é feita de pedra. O local onde está situada vai ganhar ainda uma praça de observação e iluminação especial que permitirá a visitação e contemplação também à noite. A meta é de que a obra seja acabada no prazo de dois meses.

Fique atento aos horários

Por estarem situados em propriedades particulares, os pontos turísticos naturais de Ponta Grossa têm horários pré-definidos para visitação pública. Além disso, alguns cobram ingresso. Por isso, fique atento para não perder a viagem.

Buraco do Padre – funciona das 8h às 17h. Entrada franca.

Cachoeira da Mariquinha – funciona o dia todo. Ingresso: R$ 2.

Cannyon do Rio São Jorge – funciona das 7h30 às 22h. Ingresso: R$ 2,50. Telefone:(42) 226-3731/9973-6915.

Informações turísticas:

Ponta Grossa dispõe de um quiosque para prestar informações aos turistas. Esta situado à Praça Barão do Rio Branco, no centro. Funciona das 9h às 18h, de segunda a sexta-feira. Telefone: (42) 222-8193.

Mais informações ainda podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente, pelos telefones (42) 220-1314, 220-1224 e 220-1250, sempre de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

Curta a natureza!

– Leve tênis ou um calçado confortável e seguro para percorrer as trilhas;

– proteja-se com filtro solar e repelente;

– não se esqueça dos óculos de sol e da máquina fotográfica;

– a sede é outro obstáculo, principalmente nos dias muito quentes, por isso, se puder, carregue um cantil ou uma garrafinha com água;

– o momento mais gratificante do passeio é tomar um banho refrescante de cachoeira ou rio, portanto, uma boa dica é usar roupa de banho embaixo da bermuda e camiseta para não passar vontade;

– programe seu tempo para curtir mais o local de que mais gostou, não tenha pressa ao tomar aquele banho de cachoeira;

– sinta como o ar é puro no meio da mata;

– fique em silêncio e escute o barulho das águas batendo nas pedras;

– repare como o mapa do Paraná está curiosamente desenhado na abertura da furna Buraco do Padre, fazendo com o que o sol entre e ilumine a pequena lagoa que se forma com a água da cachoeira.

– Importante: leve um saco plástico para colocar o lixo.