Estima-se que somente 15% dos brasileiros que compram bilhetes aéreos contratam um plano de assistência ao viajante. A informação é da Travel Ace Assistance, uma das empresas líderes do setor.

Segundo Roberto Roman, diretor executivo da companhia, apesar de ser um percentual pequeno, este número vem crescendo nos últimos anos. Em 2004, por exemplo, diz Roman, este número não passava dos 9%.

Para as viagens das férias de julho deste ano, a Travel Ace registrou um aumento entre 10% e 15% da procura por assistência-viagem em relação ao mesmo período do ano passado.

Em geral, eram pessoas que estavam viajando para os Estados Unidos e Europa nas férias de julho. Roberto Roman afirma que, sem dúvida, a gripe suína influenciou para que houvesse uma maior procura pelo produto, porém, não se sabe se foi somente este o fato responsável pelo incremento.

Roman explica que empresas de assistência ao viajante não dão cobertura no caso de pandemias, mas que, apesar da gripe suína ser considerada como tal, a Travel Ace concordou em cobrir eventuais ocorrências da doença por não se tratar de uma enfermidade muito grave.

Recomendação

A recomendação da Travel Ace para quem for viajar para o Hemisfério Norte a partir do final de setembro (começo do outono naquela região) é que adquiram o plano de assistência com, no mínimo, US$ 20 mil de cobertura, que custa US$ 104 para cinco dias de viagem, no caso de o destino ser os Estados Unidos.

Se a opção é por viajar para a Europa, a recomendação é o plano Embaixadas, que custa US$ 101 por pessoa para cinco dias de viagem e oferece cobertura de 50 mil euros. Há planos mais baratos, como o que custa US$ 35 para cinco dias de viagem pelos Estados Unidos e cobertura de US$ 10 mil e o que custa US$ 55 para viagem de cinco dias na Europa e cobertura de 40 mil euros.

As pessoas que farão cruzeiros no Hemisfério Norte contam com um outro plano, o Atlantic, que custa US$ 23 por pessoa por quatro dias e cobertura de US$ 3 mil. Estudantes também têm uma assistência diferenciada.

Como costumam ficar no país de destino muito mais tempo que o turista, os estudantes dispõem de um plano que custa US$ 51 por semana com cobertura de US$ 100 mil para estes sete dias.

A GTA – Global Travel Assistance – registrou um aumento de 70% no número de vidas asseguradas em 2008 em relação a 2007. Este ano, este número caiu para 38% nos primeiros sete meses em relação ao mesmo período do ano passado.

A explicação é a crise financeira mundial, que teve início em agosto de 2008. Segundo o diretor comercial da GTA, Gelson Popazoglo, entre fevereiro e junho, a gripe suína provocou o cancelamento de muitos pacotes de viagem para julho que tinham como destinos os Estados Unidos e a Europa e, consequentemente, de planos de assistência.

Por outro lado, a doença provocou um upgrade nos planos de assistência de quem, mesmo sob o temor da gripe nos países do Hemisfério Norte, não abriu mão de viajar para estes destinos nas férias de julho.

“Pessoas que costumavam comprar assistência com cobertura de US$ 10 mil passaram a comprar planos com US$ 20 mil, US$ 30 mil de cobertura”, conta Popazoglo.

A gripe gerou outro impacto positivo para a GTA: 22% dos clientes (operadoras e agências de viagem) que não costumavam vender planos de assistência da companhia passaram a fazê-lo principalmente por iniciativa dos clientes preocupados com um eventual contágio da doença em viagem.

Para o diretor comercial da GTA, o número de brasileiros que adquirem um plano de assistência de viagem ainda é pequeno por uma questão cultural. “Eles se preocupam com o hotel que vão ficar, com o museu que irão visitar, mas não costumam pensar que pode acontecer alguma coisa e precisam estar assistidos”, diz ele.

A falta de informação sobre o produto é outro fator para a não aquisição d,o cartão de assistência, por isso, a GTA pretende treinar este ano três mil agentes de viagens para que eles passem a oferecer a assistência ao mesmo tempo que informam sobre o pacote de viagem.

Tanto para quem pretende viajar para a Europa ou para os Estados Unidos, Popazoglo indica o plano Euro Assist, que dá 30 mil euros de cobertura para enfermidades e acidentes nos países da Comunidade Europeia e 15 mil para demais países. O plano custa US$ 45 para oito dias de viagem.

Europa exige € 30 mil

Para entrar nos países que compõem a União Europeia e assinaram o Tratado de Schengen, o turista precisa portar um cartão de assistência de viagem com cobertura mínima de 30 mil euros.

Os países são Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha e Suécia. (DS)