O desconforto tende a ser inevitável. Está certo que o compromisso não deve ser encarado como um “bicho-papão”, mas a primeira visita ao ginecologista costuma ser cercada de dúvidas e medos.

Na maioria das vezes, a menina sente vergonha e só procura um especialista quando a primeira relação sexual está próxima de acontecer. “O ideal é que a consulta aconteça logo após a primeira menstruação”, explica a ginecologista Naura Tonin.

Para os pais, o momento adequado para trocar o pediatra pelo ginecologista gera imensas dúvidas. Para as adolescentes, gera uma angústia quase que insuportável.

Não é para menos, não bastasse todas as “transformações” pelas quais o corpo feminino passa, enfrentar pela primeira vez um ou uma ginecologista é, no mínimo, desconfortável.

A Sociedade Brasileira de Ginecologia na Infância e Adolescência acompanha Naura Tonin e recomenda que a primeira consulta seja feita logo após a primeira menstruação, mesmo reconhecendo que nem sempre é isso que acontece.

“Não existe uma idade certa, mas a mãe deve aproveitar o momento que a adolescente estiver com alguma dúvida, seja em relação ao ciclo menstrual ou aparecimento de espinhas, por exemplo, para marcar a consulta”, aconselha a especialista, lembrando que se isso não ocorrer nessas oportunidades, ela se desinteressará pelo assunto e a consulta se tornará improdutiva ou, novamente, adiada.

Bate-papo

São várias as razões alegadas para se “jogar para frente” esse momento, entre eles, o desconhecimento do que vai acontecer lá, vergonha, falta de acesso a um serviço de saúde apropriado e medo, entre outras razões.

“Agradável não é, mas também não é algo desesperador”, garante a pediatra Lucimara Baggio, enfatizando que o bom andamento do primeiro encontro é muito importante para que se crie um vínculo duradouro entre o médico e a paciente.

Para a especialista, os pais e a própria menina devem compreender que existem situações muito mais delicadas do que essa e que a prevenção é essencial para a garantia da saúde e da qualidade de vida.

Na primeira consulta, o médico costuma conversar com a adolescente com o objetivo de esclarecer possíveis dúvidas. A primeira visita é mais um bate-papo para que ela sinta confiança no médico.

“Passamos orientações quanto à higiene, ciclo menstrual, sexualidade, as transformações e o desenvolvimento do seu corpo, que começa a mudar”, explica Naura Tonin.

Doenças contagiosas

Para a ginecologista Mariana Maldonado, especialista em sexologia, a intenção neste momento deve ser conversar com a adolescente e procurar saber que tipo de orientações precisa, indicando os exames necessários ao acompanhamento de seu crescimento.

São avaliados o peso, a altura, o desenvolvimento dos seios e dos pêlos, tanto os da axila quanto os pubianos. “Tudo isso para ver se estão dentro do esperado para a idade”, reitera a especialista.

Para as meninas que ainda não tiveram nenhum relacionamento, a médica recomenda a visita ao ginecologista pelo menos uma vez ao ano. Muitas meninas iniciam a vida sexual sem saber, até mesmo, qual o método anticoncepcional recomendado para o seu caso.

“Pior ainda quando começam a tomar contraceptivos sozinhas, ou porque a amiga toma e ensina, sem saber se a composição das pílulas é a mais indicada para o seu caso”, alerta Mariana Maldonado.

O ideal é que as visitas sejam periódicas e regulares, no mínimo, uma vez por ano para todas as mulheres que já iniciaram a vida sexual, independentemente da idade.

Outro fator importante é o diagnóstico precoce de doenças, como as doenças sexualmente transmissíveis (DST/Aids) e HPV. “&Eacut,e; importante que a menina aprenda a conhecer o seu corpo.

Assim, quando perceber alguma alteração, vai procurar o médico, o que possibilita o diagnóstico precoce de doenças, facilitando o tratamento”, completa Naura Tonin.

Delicadeza

No consultório, muitas sensações podem causar insegurança na menina. A sala de espera, o médico, o ambiente.

“A menina que ali se apresenta, não chega com algum tipo de sofrimento físico, ela chega com todo o seu ser”, descreve o professor Milton de Arruda Martins.

A compreensão desse momento em que a paciente deixa o especialista tocar seu corpo de forma íntima, ganha contornos essenciais.

“Podemos imaginar a habilidade e a delicadeza necessárias para que o médico preste um atendimento humano e delicado”, define o médico. Muitos médicos orientam para que as mães deixem suas filhas sozinhas na sala de exames, a fim de acelerar a sua autoafirmação.

Sozinha, a adolescente poderá explicar melhor o que sente e reconhecer a importância dos cuidados necessários e dar um passo importante no sentido de tomar conta da sua própria saúde.

Até mesmo, os cuidados com os medicamentos devem estar sob sua responsabilidade. No entender de do especialista, o papel dos é apoiá-las nesse importante momento da vida.

Muitas meninas iniciam a vida sexual nenhuma orientação sobre qual o método anticoncepcional mais indicado para o seu caso e, o que é pior, começam a usar pílulas sozinha ou por indicação de uma amiga.