A Associação Brasileira dos Portadores de Glaucoma (Abrag) estima que 900 mil brasileiros sofram de glaucoma, uma doença assintomática e que, lentamente, provoca lesão do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina. E o que é pior: mais da metade deles sequer suspeita que é acometido por ela. ?Quando o paciente começar a perceber seus sinais, o campo de visão já foi afetado?, enfatiza o oftalmologista Marco Canto. Os sinais mais comuns são o aumento da pressão intraocular, alterações no nervo óptico e a diminuição do campo visual.

Para a maioria dos pacientes, o tratamento do glaucoma é clínico, incluindo o uso de colírios que baixam a pressão ocular. Para os casos que não respondem ao medicamento, pode ser necessário o uso de laser ou até mesmo de cirurgia, com o implante de válvulas para diminuir a pressão no olho. Canto recomenda que além de conhecer bem os fatores de risco (pessoas com mais de 40 anos, portadores de miopia, negros, com histórico familiar de glaucoma ou que foram vítimas de trauma ocular) é importante que todos saibam da importância de consultar um oftalmologista periodicamente. ?A consulta ao especialista deve ser anual e se torna a maneira mais rápida e efetiva de se diagnosticar a doença?, comenta.

Na maioria dos casos, o glaucoma progride lentamente sem que o paciente se dê conta da perda gradual da visão lateral. Em geral, a visão vai piorando até que finalmente começa a afetar o campo visual central e se estabelece cegueira permanente. Por isso, o principal desafio é diagnosticá-lo antes que comprometa a integridade da visão do paciente. Se o problema não for tratado, a evolução acontece como se a pessoa passasse a enxergar por um tubo cada vez mais estreito. "Uma vez glaucomatoso, sempre glaucomatoso?, adverte o oftalmologista, frisando que a visão perdida nunca mais é recuperada. Embora não se possa curar, na maioria dos casos o glaucoma pode ser controlado satisfatoriamente mediante tratamento apropriado.