Ela pode aparecer de repente e o incômodo inicial pode não ser dos piores, porém aqueles simples e inofensivos cravos e espinhas podem se tornar o início de um caso de acne grave.

O problema, que acomete cerca de 80% da população entre 13 e 18 anos, passa os limites da estética e é considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As cicatrizes também vão além da aparência: baixo autoestima, alterações de humor, timidez e depressão tornam a vida de quem tem o rosto cheio de cravos e espinhas num martírio diário e um importante motivo de afastamento do convívio social.

Segundo a dermatologista Ediléia Bagatin, a acne grave é caracterizada por lesões inflamatórias, nódulos, cistos, concentrados no tronco e na face. “As lesões são dolorosas, profundas e muitas vezes drenam pus”, afirma a especialista.

Casos mais severos e, felizmente, mais raros podem ser acompanhados de febre, dor articular e leucocitose, que é um aumento do número de glóbulos brancos no sangue.

Isotretinoína

O tratamento deve ser precoce e bem orientado, independente da idade. É importante buscar a ajuda de um dermatologista, o profissional capacitado para indicar os melhores tratamentos depois de analisados caso a caso.

“Existem diferentes tratamentos: locais, orais ou combinados. A escolha depende do grau da doença e cabe ao médico indicar a opção mais adequada para cada caso”, observa a dermatologista.

Nos casos de acne grave ou mesmo moderada, mas resistente a outros tratamentos, com tendência para cicatrizes e repercussão psicológica importante, o retinóide oral (substância derivada da vitamina A conhecida como isotretinoína), é a terapia mais utilizada.

De acordo com Ediléia Bagatin, a substância reduz o tamanho e a atividade das glândulas sebáceas e normaliza o excesso de queratina no folículo piloso. “Assim, também consegue eliminar as condições que propiciam o desenvolvimento de bactérias e a inflamação”, reconhece.

Como em qualquer outro, o tratamento da acne deve ser levado a sério e cumprido até o fim. Filtro solar e hidratantes do tipo oil-free são indispensáveis. De acordo com a especialista, uma alimentação saudável, de preferência de baixo índice glicêmico com alimentos que não elevam a taxa de açúcar no sangue também pode contribuir para um resultado satisfatório. “Seguindo as orientações corretas, é possível tornar o sonho da pele perfeita realidade”, completa.